Abusada pelo professor de judô


Abusada pelo professor de judô

Oi Lasciva, tudo bem?

Sou a Ju, tenho 18 anos. Estou escrevendo porque só quero me corresponder mesmo, contar o que se passa na minha cabeça. Acho que vai ser bom “colocar tudo pra fora”. Não me sinto confortável de conversar com alguém a respeito disso pessoalmente, e apesar de na minha cabeça soar meio ridículo confessar tudo isso a alguém que não conheço, é melhor assim.

Vou contar algo que nunca contei a ninguém. Quando pequena (uns 11, 12 anos), eu praticava judô. Não havia nada de que gostasse mais do que estar em cima do tatame. Treinava todos os dias da semana. Meu professor de judô era quem me levava e trazia da academia. Meus pais não podiam fazer isso e eu era a “atleta de ouro dele”. Um dia, ele esperou que todos fossem embora, me chamou para uma espécie de depósito onde ficavam guardados os equipamentos de treino, grudou-me na parede e me deu um beijo.

Fiquei sem reação. Meu primeiro beijo estava sendo com um cara de 30 e poucos anos, casado, com filhos. Não sabia o que fazer. Não sabia se fugia, se reclamava, se brigava, se voltaria no dia seguinte. Não fiquei com medo. Confiava nele, sabia que não me forçaria a nada. Se o dissesse que aquilo nunca mais deveria acontecer, não aconteceria. Porém, eu correspondi.

Durante alguns meses, aquilo se tornou comum. Ele me chamava para ajudá-lo no depósito, durante os treinos mesmo, então me agarrava. Com o tempo, ele veio com uma mão boba, depois começou a me bolinar, pôs minha mão no pau dele.

Se alguém me contasse que passou por isso, acharia nojento, mandaria denunciar, acharia um absurdo. Acontece que eu gostava. Um dia, chegamos mais cedo na academia. Ele foi até o depósito e apareceu na porta pelado. Chamou-me para ir ficar com ele. Pediu um boquete, respondi que não queria. Ele respeitou. Um aluno mais velho chegou e interrompeu. Ele se vestiu às pressas e pediu para que não saísse dali até o rapaz ir embora. Acabou por ali. Os alunos foram chegando, o treino começou. Na saída, quando ele foi me levar pra casa, foi com a braguilha da calça aberta, passando a mão na minha coxa.

Até que, tempos depois, tive uma lesão e precisei parar com os treinos, entrar na fisioterapia. Fiquei dois meses fora e minha consciência me mandou não voltar, apesar da paixão que tinha pelo esporte, e do desempenho que tive nos campeonatos estaduais. Nunca mais voltei a treinar, porque sabia que aquilo que tinha com meu professor era errado.

De certa forma, acho que a experiência me perverteu. Comecei a pensar em sexo com muita frequência. Entrei com apenas 13 anos de idade no ensino médio e isso só piorava as coisas. O ensino médio é uma selva. Todo mundo quer perder a virgindade e brincar de gente grande.

No início da adolescência, sofri com problemas hormonais e engordei. Até hoje sou gordinha, inha mesmo – não sou enorme, apesar de não gostar nem um pouco do meu corpo. Fiquei com alguns garotos, mas nunca passou de beijos. Até hoje sou virgem (eu acho).

Explico porque “eu acho”. Agora vem a parte vergonhosa da história: Posso ter perdido a virgindade me masturbando? Não consigo passar um dia sem me masturbar. Sinto muito tesão e tenho uma vontade absurda de dar, mas nunca rola. Trabalho demais e nos momentos de lazer sempre saio com os mesmos amigos (que geralmente estão em casais) e não frequento balada. É só churrasco na casa de amigo, pizza, bebedeiras e reuniões caseiras. Não frequento balada porque sou toda encanada com a minha aparência. Sou insegura. Toda vez que alguém me elogia bate uma neurose e fico pensando se é zoeira. E por ser um problema hormonal, é difícil mudar. Já iniciei tratamento, emagreci, mas qualquer descuido já era. Antes, quando eu ia me masturbar, apenas me bolinava. De um tempo para cá, senti necessidade de incorporar penetração de alguns acessórios. Nunca sangrou nem nada. Mas sempre fico nessa dúvida se passei pela situação deprimente de perder a virgindade sozinha.

Desculpa tomar seu tempo.

Beijo,

Ju.

 

 

Ju querida,

Sua história me comoveu. Você foi claramente traumatizada pela atitude do seu professor de judô. Você gostava, é claro. É natural ficar excitada, mesmo tendo que lidar com tais crises emocionais. Mas você era muito nova para ser iniciada assim. Ele não respeitou sua ingenuidade, o ritmo do seu corpo.

Ainda acabou envolvida com uma situação que não tinha nenhum preparo emocional para lidar – de se relacionar com um homem casado, ser cúmplice de uma traição. Imagino como deve ter sido pesado conviver com esse trauma. Pelo visto, até hoje você não conseguiu superar. A crise emocional por que passou foi tamanha, que você preferiu largar o esporte de que tanto gostava, só para não ter que se deparar com a questão, novamente.

Acho que deve procurar terapia, para colocar isso para fora de forma mais elaborada e aprender a lidar com suas memórias sem prejudicar sua convivência social. Espero que encontre homens que te respeitem e algum amor com quem possa compartilhar isso. Vai ser bom ter ao seu lado alguém que te entenda e te ajude na superação. Conte comigo também, para o que for preciso. Não tenha vergonha e não se culpe. Não se relacione com ele de novo, ignore-o. Se ele vier falar com você, mostre que isso te deixou cicatrizes. Seja escrota com ele.

E quanta neurose com seu corpo! Não são umas gordurinhas a mais que vão te fazer deixar de ser gostosa, menina. Sabe, perdi muito tempo da minha vida traumatizada porque tenho uma série de problemas de mal formação óssea, sem cura. Nunca terei bundão, meus seios são super pequenos, sou meio tortinha. Mesmo assim, hoje me acho gostosa, com todos os meus defeitos. Uso minhas qualidades em meu favor. De salto alto e saia curta, todos reparam quando passo na rua. Consigo minimizar os problemas do meu corpo, valorizando aquilo que tenho de bom.

Sobre perder a virgindade em masturbação – pode acontecer de romper o hímem com algum objeto grande. Mas isso é muito raro e, se aconteceu, ninguém precisa saber. É bem provável que você mesma nunca saiba. Talvez seu ginecologista possa dizer se você mantém o hímem intacto, mas que diferença faz? Você é virgem. Nunca teve nenhuma relação sexual. Não se preocupe se rompeu ou não. Acho que a única forma de ter certeza é se você sangrar durante a primeira relação. Acontece que nem todas sangram. Eu mesma não sangrei na minha primeira vez. É normal.

Se cuida, fofa!
Beijocas,

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