Sou safada sim, e daí?

Nesta segunda, 10/12, fui convidada a participar de um debate sobre sensualidade na internet no Festival youPIX. Tive a oportunidade de dividir o palco com três gatas cheias de conteúdo: apresentadora do Multishow Pietra Príncipe, a blogueira Acid Girl e a sex symbol Ângela Bismarchi. O painel contou ainda com a moderação do irreverente Afonso Tresdê, que roubou a cena com sua performance transformista.

Apesar de tocarmos em alguns temas até pesados, como o preconceito e as ofensas com que lidamos na web e fora dela – apenas por abordar os mais diversos assuntos sobre sexo, sem tabus – predominou a leveza das convicções que carregamos. Cada uma tem um perfil distinto e chegamos a divergir em várias ideias. Em comum, todas tinham total ausência de culpa por qualquer coisa que falamos ou fazemos. “Se fazer sexo desse cadeia, eu viveria atrás das grades”, disparou Bismarchi, mostrando que não há nada de grave em mulheres assumirem seus desejos sexuais. Mesmo que tanta gente ainda tenha dificuldade de lidar com essa liberdade feminina.

Afonso introduziu a questão sobre descuido com a imagem – comum entre os mais jovens, que, no impulso de externar sua sexualidade, acabam deixando de medir as consequências daquilo que publicam. Aqueles que, por vezes, protagonizam o famoso “caiu na rede”: têm sua intimidade exposta muito além do desejado. “Vejo muito uma superexposição, uma galera que não sabe o que tá fazendo e acaba parando no ‘bobeou tá na net’, esses sites de Zé punheta”, comentou o moderador do debate. Acid pensa que não há mais limites do que pode ou não ser mostrado. “Chegou a um ponto em que tudo é muito decente. Todo mundo tá mostrando demais. Karina Veiga está aí para provar”.

Diante disso, preferi assumir que, apesar de nunca ter tido fotos minhas divulgadas contra a minha vontade, já cheguei a postar imagens que nem gostava tanto e depois acabei me arrependendo. O limite, no caso, seria o quanto a pessoa se sente confortável com aquela divulgação. Vale pensar duas vezes antes de publicar ou mesmo repassar conteúdo íntimo, pois uma vez que vai para a internet, pode ser que aquilo não suma nunca mais.

Ângela preferiu fazer uma distinção conceitual: “As pessoas têm que saber diferenciar a sensualidade da sexualidade e da pornografia dentro da internet”. Tal frase deu início a uma discussão que provou que não existe consenso sobre o limiar preciso que separa erotismo e pornografia – que muitas vezes funcionam apenas como rótulos ditados por valores morais.

“O moralismo tá aí. Todo mundo trepa, todo mundo gosta de sexo, espero. E se todo mundo soubesse o que o vizinho faz na cama, acho que as pessoas teriam dificuldade de lidar entre si”, observou Pietra sobre os pudores sociais. Segundo ela, as próprias mulheres têm atitudes machistas e algumas entram em disputas acirradas e despropositadas por causa de homens. Pelo visto, está mais do que na hora da mulherada se valorizar mais e elevar sua autoestima. Tirar os caras de um patamar superior e assumir uma posição de igualdade.

E a polêmica pegou forte quando a musa do Multishow comentou sobre as relações poligâmicas do funkeiro Mr. Catra, que tem seis esposas e 21 filhos. Ângela Bismarchi se prontificou a criticar: “Eu sou contra”. Nessa hora, fiz questão de ressaltar que não dá para ficarmos apontando o relacionamento dos outros, afim de dizer o que é certo ou errado. “Tudo bem que há pessoas que se sintam mais à vontade com a monogamia. Mas existem outras formas de amar. Não há nada de errado com a poligamia ou o poliamor. Se as mulheres do Catra estão felizes, sou super a favor”, pontuei.

Então fica a reflexão. Se não queremos ser julgados por aquilo que fazemos da nossa vida sexual, um bom começo é parar de emitir julgamentos sobre relacionamentos alheios. Afinal, quando não há prejuízo aos direitos e ao bem estar daqueles que nos cercam, somos livres para agir como bem entendermos. Vamos abrir nossas mentes.

Em meio às duas lindas Pietra Príncipe e Acid Girl

O painel do youPIX foi uma ótima oportunidade de pôr lenha na fogueira de polêmicas incendiárias. E o melhor: em uma discussão bem saudável, sem qualquer baixaria. Precisamos de mais debates como esse. Há muito que deve ser dito.

7 Comentários. Polemize.

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