Casamentos liberais – O relacionamento aberto

Não existe apenas uma forma de amar. Como dizer que um amor é certo ou errado? Cada um descobre seu jeito de amar e, assim, cada casal, cada membro de um relacionamento amoroso, vai definir o que significa bem estar dentro daquela relação. Sentimentos são singulares demais para que possamos cercear seus limites segundo normas externas. Um amor que é único e exclusivo não é melhor ou pior que o poliamor – desejo de múltiplos amores. É isso mesmo: casais liberais não se amam menos ou mais que os tradicionais adeptos da monogamia. Muitas vezes, seu amor chega a ser mais perene, mais sincero que aqueles cônjuges que não conseguem sequer imaginar o parceiro com outra pessoa – e preferem fazer escondido de quem ama, para não ter que assumir suas vontades mais íntimas.

Há muito caiu o mito de que o amor da sua vida vai te levar ao altar e te suprir emocionalmente de todas as maneiras, até que a morte os separe. Então as pessoas vão enxergando saídas à monogamia – soluções que não lhes deixem tão desconfortáveis quanto a ideia pecaminosa do adultério (um conceito criado milênios atrás, quando a fidelidade era a única maneira de garantir hereditariedade). Hoje, grande parcela dos casais já admite a possibilidade de uma eventual relação extraconjugal do parceiro, pelos mais diversos motivos. Assim, mesmo quando não são capazes de aceitar nem concordar, já têm maturidade suficiente para compreender. E há também aqueles que não só admitem a possibilidade de haver relações extraconjugais, como trabalham com ela e ainda a usam a favor de um relacionamento forte e estável. Pessoas capazes de distinguir, sem confundir – o que é sexo e o que é amor.

Nuances do amor livre

Existem vários modelos de relações liberais. Diz-se que os relacionamentos abertos não são tão livres quanto os casais liberais. Os abertos seriam relações essencialmente monogâmicas, mas que toleram eventuais casos extraconjugais – e muitas vezes nem fazem questão de saber. Acontece muito quando os parceiros moram em cidades distantes. Ambos têm liberdade para se relacionar com outros quando estão longe. Mas quando se encontram, nada do que houve importa – fica para trás. Esse é apenas um exemplo de relacionamento aberto.

Realizar a fantasia de trazer outra pessoa para cama já é desejo comum em muitos namoros e mesmo em casamentos bem estabelecidos. Casais que se permitem libertar de várias maneiras, com o consentimento de ambos. Especialmente os mais jovens estão percebendo que não é porque você está em um relacionamento sério que o seu desejo e atração por outras pessoas vai instantaneamente desaparecer. Dessa forma, vão abrindo brechas, possibilidades dentro da relação. Percebem que um relacionamento aberto não é menos sério que os outros. Sequer menos intenso.

Já entre os casais liberais, relações extraconjugais não só são aceitas, como são incentivadas. Tudo é feito com a ciência e o consenso de ambas as partes. Para eles, esse acordo não é apenas uma diversão ou uma simples fantasia (apesar de muitas vezes ser esse o ponto de partida). Torna-se um estilo de vida.

Em geral, gostam saber sobre os casos do parceiro, querem detalhes. Muitas vezes estão presentes quando acontecem os casos ou até levam o outro para o encontro. Seu tesão é imaginar, e muitas vezes ver que seu parceiro está com outra pessoa. As relações extraconjugais promovidas entre os casais liberais – conhecidas no meio como “brincadeiras” ou “festinhas” – podem ocorrer de diversas formas. As mais famosas são o swing (troca de casais) e o ménage (sexo a três). Há todo um vocabulário próprio para designar os envolvidos e as ações dentro da “brincadeira”.

Também não é porque chamam de “brincadeira”, que a coisa não é levada a sério. Casais liberais tratam sua sexualidade com muita seriedade – talvez até demais. Mas, além da curtição do sexo, continuam sendo casais de namorados ou cônjuges como quaisquer outros. Dormem de conchinha à noite, contam com a companhia e opinião do outro no dia a dia, constroem famílias.

 

Esse texto é fruto de uma parceria com o site Burllesque Magazine, na produção de uma série sobre casamentos liberais. Iremos abordar ainda o swing, o ménage e outras vertentes do mundo liberal, como o cuckolding e o gang bang.

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