Centro de prazer do cérebro: acenda-o


Centro de prazer do cérebro: acenda-o

Talvez você já tenha ouvido falar que o cérebro possui um centro de prazer que nos permite identificar algo agradável, além de reforçar o nosso desejo de realizar novamente a mesma ação prazerosa. Isso também é chamado de circuito de recompensa, que inclui todos os tipos de prazer, que vão do sexo ao riso e a certos tipos de uso de drogas. Algumas regiões do cérebro afetadas pelo prazer incluem:

amígdala – regula as emoções;

núcleo acumbente – controla a liberação da dopamina;

área tegmentar ventral (ATV) – realmente libera a dopamina;

cerebelo – controla o funcionamento muscular;

glândula pituitária (ou hipófise) – libera beta-endorfinas, que diminuem a dor; ocitocina, que aumenta os sentimentos de confiança, e vasopressina, que aumenta a ligação.

Embora os cientistas estudem há muito tempo o centro de prazer, não foi feita muita pesquisa sobre a forma como ele se relaciona com o prazer sexual, especialmente nas mulheres. No final da década de 90 e meados de 2000, uma equipe de cientistas da Universidade de Groningen, na Holanda, realizou vários estudos tanto com homens quanto com mulheres para determinar a atividade cerebral durante a estimulação sexual. A equipe usou imagens de tomografia por emissão de positrons (PET) para ilustrar as diferentes regiões do cérebro que acendiam e apagavam durante a atividade sexual. Em todos os testes, as pessoas foram examinadas em repouso, enquanto estavam sendo estimuladas sexualmente e tendo um orgasmo.

Curiosamente, descobriram que não havia muitas diferenças entre os cérebros de homens e mulheres quando se tratava de sexo. Em ambos, a região cerebral atrás do olho esquerdo – chamada de córtex orbitofrontal lateral – desliga-se durante o orgasmo. Um dos pesquisadores, disse ao jornal LA Times: “É a base da razão e do controle comportamental. Mas, quando você tem um orgasmo, perde o controle”. Segundo ele, o cérebro durante um orgasmo se assemelha ao cérebro de uma pessoa que está consumindo heroína. E afirmou ainda que “em 95% dos casos é igual”.

Existem, porém, algumas diferenças. Quando uma mulher tem relação sexual, uma parte do tronco cerebral chamada substância cinzenta periaquedutal (SCP) é ativada. Ela controla a “reação aguda ao estresse”. O cérebro feminino também mostrou atividade reduzida na amígdala e no hipocampo, que lidam com o medo e a ansiedade. Assim, a equipe criou a teoria de que havia essas diferenças porque as mulheres têm maior necessidade de se sentirem seguras e relaxadas para aproveitarem a relação sexual. Além disso, a área do córtex associada à dor era ativada, o que mostra que há uma ligação distinta entre dor e prazer.

Os estudos também revelaram que, embora as mulheres pudessem enganar seus parceiros fazendo-os pensar que elas tiveram um orgasmo, seus cérebros mostram a verdade. Quando solicitadas a fingirem um orgasmo, a atividade cerebral aumentou no cerebelo e em outras áreas relacionadas ao controle dos movimentos. Porém, as imagens não mostraram a mesma atividade cerebral em uma mulher durante um orgasmo de verdade.

Mas e quanto às pessoas que não conseguem chegar ao orgasmo de forma alguma? Isso ainda é um desafio para pesquisadores, medicos, terapeutas, sexólogos e todos os envolvidos nas nossas atividades sexuais.

Cada região do cérebro está envolvida em uma forma particular na hora do sexo. Mas as preferências, modalidades, e tipo de sexo são as variáveis pessoais que não conseguem ser mapeadas em estudos… Cada um tem o seu cérebro e tem que conviver da forma mais harmônica com ele.

 

* Dr. Nelson Cardoso é psiquiatra com especialização em dependência química e comportamentos compulsivos, que estuda a sexualidade humana.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *