Como o desejo ativa o cérebro


Como o desejo ativa o cérebro

Este mês vamos entrar de uma forma simples e gostosa sobre como o sexo funciona no cérebro nosso de cada dia – parafraseando o tópico de uma grande neurocientista carioca.

É de conhecimento geral que o homem tem duas cabeças. A superior controla o orgasmo (como nas mulheres) e a inferior sustenta a ereção e a ejaculação. Homens que são submetidos a anestesia peridural têm uma chance maior de ter uma ejaculação no meio de um procedimento na sala de cirurgia. Além dessa forma pouco comum, a mais frequente é a manipulação repetitiva do membro peniano culminando em uma jorrada de fluido seminal, vulgo punheta.


Mas é no cérebro que o sexo culmina. É nele que atuam os hormônios durante a transa e onde há a explosão do orgasmo com seu consequente relaxamento corporal e alívio do estresse. De certo, a anatomia ajuda. Porém, os genitais, acreditem ou não, são meros coadjuvantes para o principal órgão sexual do corpo: o cérebro.

Imagine a seguinte situação. O rapaz está há horas no bar, esperando que aquela gata lhe dê bola. Finalmente, sucesso: ela olha ao redor, e por um momento os olhares se cruzam! Este instante que prenuncia um súbito aumento nas suas probabilidades de se dar bem amorosamente é tão importante que seu cérebro toma nota e automaticamente premia a sua bem-sucedida persistência, ativando o sistema de recompensa.

Este sistema de recompensa localiza-se no centro do cérebro. Ele é responsável por manter comportamentos repetitivos que geram momentos de prazer (sexo, drogas, compras, etc.). Dali saem impulsos nervosos que causam aquela sensação de “borboletas no estômago”.


Claro que não é à toa que o cérebro possui um mecanismo embutido para premiá-lo quando um belo exemplar da sua espécie olha para você. Vários estudos já demonstraram que a beleza feminina, tradução de juventude, simetria das feições e dos seios, e proporções ideais entre cintura e quadris, é o melhor atestado de que a beldade tem boa saúde, é portadora de bons genes e provavelmente fértil, capaz de dar à luz sem problemas.

Nos homens, quanto mais simétrico é o rosto (o que evidencia de que seus genes foram bons o suficiente para fazer o corpo atravessar o desenvolvimento sem sucumbir a dificuldades de percurso), mais as mulheres os julgam saudáveis, fortes, protetores, e potencialmente ricos (!). Existem programas de computador que modificam as aparências do rosto e testam como cada sexo reage com as alterações. Se ele acentua as características masculinas dos seus rostos dirigidas pela testosterona, homens e mulheres os julgam mais dominadores, menos calorosos, menos solidários, menos honestos e piores pais. Ao contrário, é a ligeira feminização do rosto masculino que o torna mais atraente – supostamente por “abrandar” traços associados com qualidades indesejáveis causadas por excesso de testosterona como a violência e a infidelidade.

Outra evidência do valor evolutivo da beleza como atestado de saúde-e-bons-genes é o fato de as preferência estéticas parecem vir fábrica: assim como adultos, crianças de apenas quatro meses de idade já preferem rostos atraentes. Como dizia o poeta: “Que me perdoem as feias, mas beleza é fundamental”.

 

* Dr. Nelson Cardoso é psiquiatra com especialização em dependência química e comportamentos compulsivos, que estuda a sexualidade humana.

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