Do leitor: Clichê


Do leitor: Clichê

Eu te fantasiei de todos os jeitos, de todas as formas, de todos os lados. Desejei você por dentro e por fora.

Meia luz, renda preta, música baixa. Tudo muito clichê, eu sei. Mas isso não importava. Era hora de interpretar aquele filme. Você era capaz de dirigir cada cena impecavelmente. Eu era sua atriz preferida.

Tirei, peça por peça, cada pedaço de pano que cobria minha pele. Vesti-me apenas de pele arrepiada. John Mayer cantava no iPod e, ao som daquela, voz despi sua roupa. Seus olhos não desgrudavam da superfície do meu corpo. O tempo lá fora parou. Nada importava.

Sua mão me puxou para perto. Perdi-me em seus beijos. Sem pudor, com amor. Ousei te tocar e seu gemido de aprovação me atiçou minha vontade de experimentar o sabor mais delicioso que já pude apreciar: o seu.

Arranhei sua pele, mordi, apertei, chupei, te engoli. Sem censura, sem promessas. Deixei sua língua se deliciar com cada cantinho meu que ela foi capaz de alcançar. Arrancou-me gemidos, espasmos. Entreguei-me de todas as maneiras, de todos os jeitos. Aquele lençol nunca abrigou tesão maior que o nosso. Eu estava ali inteira para você.

Raios de sol tocaram nossas peles devagar, avisando que a noite acabou. Nossas retinas se grudaram como imãs. Nos lábios, um sorriso bobo e um bom dia baixinho. Um abraço gostoso, um café quente e a promessa de outra noite juntos.

Eu e você.

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