Do Leitor: Meu desastroso ménage à trois


Do Leitor: Meu desastroso ménage à trois

Tinha 15 anos, ele 26. Ele meu segundo homem, eu talvez a milésima nona mulher da vida dele. Eu solteira, ele noivo. Eu apaixonada, e ele não estava nem aí – mas que me ligava toda semana, ligava. O ano seguinte ao que o conheci foi sofrido, chorava após cada encontro. Mas, na minha cabeça, ele era o melhor. Já no segundo ano, resolvi inverter a situação. Como ele me usava quando bem queria, passei a fazer o mesmo. Conheci outros homens (e mulheres) e a paixão foi embora. Porém, como uma amiga já dizia: paixão do segundo sexo é a pior.

Ele foi o primeiro a me fazer um oral, quem me inaugurou no sexo anal – basicamente me ensinou o que sei hoje. Nossos encontros ocorriam ao menos uma vez por semana, e chegou a rolar de nos vermos quase que diariamente. Depois do terceiro ano, nem nos beijávamos mais. Vieram os brinquedinhos, as bolinhas, os géis, as loucuras. A gente precisava sempre de algo para sair da rotina, parecíamos aqueles casais com mais de 20 anos de casamento. Ele sabia que eu eventualmente tinha algumas relações homossexuais. Desde o começo, meu amante sempre tentou me convencer a fazer um ménage. Aos meus 15 anos, achava aquilo um absurdo. O tempo foi passando, minha experiência e desejos aumentaram. Até que, ao quarto ano de relacionamento (se é que dá para chamar assim), concordei com a proposta. Começamos a busca pela menina ideal.

Foi então que, certo dia, ele me liga com a notícia: havia encontrado a parceira certa. Gostava de sexo tanto quanto a gente, era comprometida e também tinha a mesma curiosidade. Ele já tinha um caso com ela há um ano e lhe sugeriu o mesmo. Contudo, a garota estava fazendo jogo duro com ele. Foi quando decidi adicioná-la aos meus amigos do Facebook, na cara de pau. Ela já sabia quem eu era. Conversamos por uma semana, criamos intimidade, acertamos de fazer tudo de camisinha. Então o tal dia chegou. Tudo combinado. Naquela data, ambas fomos ao salão, marcamos depilação, compramos lingerie nova. Não a conhecia pessoalmente. Quando cheguei para buscá-la, fiquei surpresa: ela tinha 20 anos, era muito linda e gostosa.

Chegando lá, estávamos ainda um pouco tensas. Nós duas viramos algumas tequilas e imediatamente começamos a nos beijar. Nossa química foi imediata. Ele entrou no meio e tudo estava indo muito bem. Fizemos um boquete nele juntas. Enquanto fazia sexo oral nela, ele fazia em mim. Depois de todas as preliminares possíveis, ele foi tentar penetrá-la SEM CAMISINHA. Ela travou na hora, o que o fez indagar sobre o motivo da parada. Explicamos que não faríamos nada sem camisinha, então ele olhou pra nossa cara e falou:
– Vocês acham mesmo que eu vou ficar trocando de camisinha cada vez que quiser comer uma de vocês? Eu quero colocá-las uma do lado da outra, de quarto, e dar uma ‘bombada’ em uma, uma ‘bombada’ em outra! – lembrando que o cara tinha 30 anos.

Tentamos argumentar. Dissemos que, se ele não se respeitava, que pelo menos respeitasse nós duas. Que tudo era uma questão de respeito mútuo. Não teve conversa, ele achou aquilo um absurdo e falou que não iria colocar camisinha. Tentou nos penetrar mais algumas vezes, mas não obteve êxito. Foi então que falamos que não precisávamos dele e que poderíamos nos satisfazer sozinhas. Começamos a nos tocar e fazer a nossa “festinha”, sem a participação dele.

Nosso amante ficou muito nervoso. Esbravejou que estava sendo insultado, disse que a gente estava se achando muito importante. Perguntou se achávamos mesmo que era a primeira vez que ele fazia um ménage e disse que a gente não era porra nenhuma. Agora me responde: duas loiras, peladas, se pegando na cama diante dele e o rapaz achando ruim?! Isso não está certo! Achamos falta de educação da parte dele e decidimos ir embora. Antes de a gente sair, ele ainda acrescentou:
– Olha vocês duas, eu não sou palhaço não pra vocês brincarem assim comigo! – e então voltou-se para mim – a gente está junto há 4 anos, você nunca me viu fazer uma coisas dessas, mas hoje você me desapontou.

O quê? Eu o desapontei? Aquilo afetou meus nervos, acabei me sentido humilhada. Fiquei dias me sentindo um lixo. Não acreditava que havia passado por aquela situação degradante. Depois de um tempo, cheguei à conclusão de que quem havia passado vergonha e feito feio foi ele, não a gente. E outra: ainda perdeu a oportunidade transar com duas loiras curvilíneas de uma só vez.

 

 

EPÍLOGO

A menina terminou seu relacionamento para começarmos a namorar. Quando me toquei ,estava comprometida com a garota que era só para ser o terceiro lado do meu ménage com meu antigo amante. No final das contas, ela adquiriu uma importância muito maior para mim. A gente ainda se envolveu com vários outros homens juntas, mas com nenhum deles chegamos a fazer o nosso tão sonhado ménage. Ou porque eram fraquinhos demais e achávamos que não iriam dar conta de nós duas; ou porque achamos não serem dignos de nos ter na sua cama. Até o dia em que a bonita me deixou, dizendo que para ela não dava mais. E se casou com seu ex-namorado.

Continuo na esperança de um dia participar de um sexo a três. Mas, dessa vez, nada será planejado, nem combinado, vou apenas deixar rolar.

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