Do Leitor: Pra você voltar


Do Leitor: Pra você voltar

1:13, sexta, 07/02/2014

“mas tá tão cedo!… Já vai levantar?”.

Um sorriso. “queria tanto tomar café com você…”.

“desculpa, mas hoje não vai dar… Logo…?”. No final de semana seguinte, eu imaginava. Poderia ter dormido lá no sábado, e passado o domingo inteiro com você.

“deixa eu abrir a porta; pra você voltar”.

Mas eu não voltei. E nem acho que voltarei mais.

 

***

Toco a campainha. Assim que a porta se abre, eu me jogo nos teus braços, e, com beijos e o meu corpo pequeno apertando o teu (“você é tão pequetita!…”), te prenso contra a parede.

Você, surpreso, vai me conduzindo para o teu quarto, enquanto me abraça por trás.

Entramos, eu largo minhas coisas no chão, e assim que você se vira, após ter fechado a porta, te beijo novamente. Você me abraça apertado, e eu sinto no teu beijo, doce e intenso, a urgência da tua saudade. Da nossa saudade. E então eu me entrego de vez.

Te faço sentar na poltrona, com uma força praticamente ridícula perto da tua.

Tento te seduzir, mas não adianta muito; acho que nunca consegui conduzir com naturalidade esses jogos de sedução. Nem sei se precisei disso também: meu tesão por você sempre falou (gritou!) mais alto, e sempre esteve a flor da pele (a que você diz ser tão macia, e que sentiu muita falta do teu toque, a percorrendo com as pontas dos dedos no início, e depois com as mãos inteiras e cheias).

Boca, boca, boca, pescoço, boca, peito, joelhos no chão, boca, pau. Estava te devendo isso. Aliás, estava nos devendo; quantas vezes não comecei a me masturbar imaginando essa cena?!

Adoro te ouvir gemendo, e o quanto você se segura pra não gozar ainda, mesmo comigo, te chupando com tanta vontade.

Você se levanta, me ajuda a levantar, e se senta na cama. Me pede pra tirar as minhas roupas, enquanto me observa. Por um momento se levanta novamente, me abraça, me cutucando por trás com o pau duro, e gentilmente passa a mão na minha bunda. “se ficar alisando vai ter que comer…”. Haha… “pode deixar!”.

Você inspira fundo, e mais uma vez me diz o quanto ama o meu cheiro. E eu fico mais do que feliz que ele te agrade. Quero te agradar. É você que eu quero agradar. É você que me importa. É você.

Sua mão desliza para baixo, e você começa a me tocar de leve. Não sei quando foi exatamente, mas suspeito que no primeiro beijo, logo após abrir a porta, eu já estava molhada.

Eu me viro, você me empurra aos poucos, e eis que deitados estamos. Que saudades de você por cima!, me apertando, e metendo bem devagarzinho em mim… Meu quadril se encaixa perfeitamente no teu, e a tua respiração intensa me excita mais e mais a cada vez que eu te sinto entrar. Nunca tive muita pira, mas te observo com carinho e cada vez mais desejo, enquanto você beija, morde e chupa os meus seios.

“vem cá”. Você se deita de costas, e me puxa pra cima de você. A primeira sentada é absurda, e eu tenho que resistir, e me segurar; falo baixinho “ainda não” (mas eu era capaz de gozar já na primeira).

É a claridade da noite que nos ilumina agora. Eu começo a cavalgada; a tua mão esquerda em meu seio, a direita no quadril. Você o segura porque fica louco quando eu subo, desço, e rebolo no teu pau. E é perfeito o teu jeito e o teu esforço pra garantir que eu goze primeiro.

“aperta…”. Duas mãos firmes no meu quadril. “bate”. E tapas deliciosos acertam a minha bunda.

Adoro a sensação da minha pele encostando na tua quando me curvo pra te beijar. A cara que você faz quando não consigo segurar meus sorrisos. O brilho nos teus olhos ao me olhar. E como o teu rosto todo se ilumina quando você sorri.

“me fala…”. O que você quiser, meu caro: “eu vou gozar…”. E não demora muito pro orgasmo vir, gostoso, se espalhando, com uma onda de calor e relaxamento, por todo o meu corpo. Wow… Com você tudo é tão intenso!…

“você não quer um minuto?”. Não. Eu quero continuar nessa transa, trepando deliciosamente com você, até que essa noite vire dia, e noite novamente. “tua vez”.

“fica de quatro”. Servilmente obedeço à ordem. Obedeço ao teu desejo, e ao meu. Não sei por que, mas de alguma forma me sinto muito gostosa quando a gente faz desse jeito. Talvez seja porque eu sei o quanto você gosta de me ver e de me comer assim.

Escuto a tua respiração e os teus gemidos, e sei que são de admiração pelo meu corpo. Posso até imaginar a cara que você faz. Só você mesmo…

As tuas mãos deslizam, do quadril pra cintura, da cintura pros cabelos… “aperta… e bate”. E mais tapas me enchem de tesão.

Você mete, e o meu todo corpo estremece. Os nossos. Não demora muito até encontrarmos o ritmo certo. E, por mais que você tente prolongar, logo goza também, e as minhas artérias e veias irrigam meu corpo todo novamente, desta vez com alegria e satisfação.

Sentamos na cama, olhamos um para o outro, e começamos, entre beijos, a rir. Nos beijamos mais e mais, e então deitamos, abraçados. Você passa suavemente a mão pelo meu rosto e pelos meus cabelos, e dificilmente em outros momentos me sinto tão amada quanto nestes.

Inesperadamente ela vem: falho, e não consigo segurar uma lágrima. Você me diz, de maneira doce, “pode chorar. Faz bem”. Mas era só uma naquele momento. De tristeza e alegria. A separação foi longa. E eu ainda não tinha noção exata do quando você me fez falta; você me fez muita falta. Mas agora você estava ali, ao lado meu.

A narrativa se aproxima do fim com a chegada do novo dia.

Ficamos abraçados, de conchinha, por um tempo, e eu penso o quanto amo a tua pele na minha. Penso no quanto eu amo você.

Decido tomar um banho. Luzes apagadas; a noite é clara. A água corre pelo meu corpo, e pela minha mente corre um sentimento sem nome.

Volto pra cama e você já dorme, em paz. Escuto a tua respiração e sinto o teu calor, até adormecer também.

Quero te agradar. É você que eu quero agradar. É você que me importa. É você.

 

***

Era você.

“deixa eu abrir a porta; pra você voltar”.

Mas eu não vou voltar.

Hoje faz um mês.

 

*MK é curitibana e escreve por paixão. Como diria um conhecido, “adicione sarcasmo a gosto” e voilà: this girl is good to go. Aviso: nem só de frio vive o sul do Brasil (‘if you know what I mean…’). Leia outros textos de MK.

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