Do leitor: With or without you


Do leitor: With or without you

“With or without you, with or without you, oh… I can’t live, with or without you…”

Essa música tocava naquele momento. Não no rádio, nem na tv, mas nas profundezas do meu cérebro. Eu estava sentada ao lado dele que foi o “homem da minha vida” pelos últimos quatro anos.

Merda! Agora restava um silêncio tenso, que dava para ouvir nossa respiração voltando ao ritmo normal. Após mais aquela discussão acalorada, o fim já se revelava inevitável.

Ele se aproxima, me abraça. Viro-me e olho fundo nos seus olhos. Percebo detalhes naquele nariz, na boca. Como se nunca tivesse feito isso antes. Sentia a necessidade de mapear seu rosto na minha memória.

De repente, ele me beija – e não resisto. Decidimos, na cumplicidade do nosso silêncio, fazer dessa uma “despedida solene”.

Subo no seu colo, beijo seu pescoço. Faço seus pelos se arrepiarem. Ainda olhando nos seus olhos, beijo sua boca de maneira quase que asfixiante. Nossa respiração volta a se alterar. Nesse ritmo, começo a rebolar meus quadris, roçando meu ventre em cima dele. Logo sinto o volume entre suas pernas aumentar.

Eram quatro horas da tarde de uma quarta-feira. A casa era de uma amiga minha. Mas, nesse momento, nem pensamos nisso. Acho que ninguém desconfiaria também, tamanha era a nossa confusão ultimamente – “vai lá em casa, e nós vamos deixar vocês conversarem em paz”.

Arranco sua camisa, quase estourando os botões. Da mesma maneira, ele tira a jaqueta e a camiseta que eu vestia. O sutiã preto, rendado, coincidentemente escolhido naquele dia, o encanta. Com uma mão, treinada por mim, ele o abre, e com a outra mão e a boca acaricia meus seios, que cabiam perfeitamente em suas palmas.

Beijo seu peito, percorro uma rota aleatória com a minha língua. Ainda com a boca abro o botão de sua calça, e de leve o toco, lá, com as pontas dos dedos. Percebo que meu hálito, quente, lhe causa novo arrepio (ah, como isso vai fazer falta!).

Supero-me nesse oral. Ele começa a gemer timidamente, assim como eu, que decido “pegar leve” no início. Mas logo a culpa diminui e a vontade aumenta; assim como a intensidade e o tom dos seus gemidos. Quando goza, ele tem que se controlar para não urrar.

Ele me puxa pra cima, com uma força de fera faminta. Beija-me, loucamente. Derreto-me mais e mais.

Sussurro em seu ouvido uma música que há muito lhe enviei, em uma “mensagem-preliminar”, antes de um reencontro pós-viagem. “Put me on the table, make me say your name… If I can’t remember, then give me all your pain… I can sit and listen, or I can make you scream. Kiss it and make it better, just put your trust in me…”

É o que basta: as sapatilhas voam, ele despe meu jeans, com as mãos. A calcinha foi com os dentes. Quase que ironicamente, foi nesse dia que realmente “vi estrelas”. Ele costumava mandar bem, mas nunca havia me chupado assim. Foi nesse momento que percebi que essa despedida valeu muito a pena.

Nossos peitos subiam e desciam lentamente, mas ainda não havíamos perdido todo o fôlego. Reinava novamente o silêncio. Agora, um silêncio ensurdecedor – como se desse pra perceber em ondas sonoras o nosso tesão.

Ele subiu, então, em cima de mim. Não tenho certeza (acho que nunca terei), mas tenho impressão de que ele sabia como eu adorava essa posição. E, em homenagem ao momento, homenagem à última vez, me pegou assim. Era o peso do seu corpo, o toque da sua pele na minha, que mexiam tanto com a minha cabeça.

Muda a estação, muda a música. “The rhythm of her conversation, the perfection of her creation. The sex she slipped into my coffee – the way she felt when she first saw me. Hate to love, and love to hate her, like a broken record player. Back and forth, and here and gone, and on, and on, and on, and on…”. Sim, eu estava ‘on’, a gente estava ‘on’. Na mesma sintonia.

Quando começou a me comer o ritmo era lento, mas gostoso. Foi olhando, novamente fundo nos meus olhos, que aumentou a velocidade e a força. Esse momento poderia durar pra sempre. Foi um pouco triste quando acabou, talvez porque todo fim é um tanto quanto triste. Felizmente, foi num orgasmo maravilhoso, e memorável.

Beijos, beijos, e beijos, deliciosamente suados. E o silêncio… já era um silêncio nostálgico. O momento perdurou até que a nossa respiração se acalmasse novamente.

Nos vestimos, e evitamos trocar mais palavras. Um último beijo, ‘and that’s all folks’.

 

“Todo carnaval tem seu fim…”.

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