Doença não faz distinção social


Doença não faz distinção social

Amanhã, 1° de dezembro, é o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS. Uma epidemia global que demanda mobilização coletiva. Todos os anos.

A Organização Mundial de Saúde estima que existem atualmente 42 milhões de pessoas portadoras do vírus da AIDS, sendo que 95% delas vivem em países pobres. Ainda segundo a OMS, há no Brasil 600 mil indivíduos infectados, e apenas 200 mil sabem que são HIV positivo. Ou seja, há 400 mil brasileiros que, desconhecendo sua condição, podem estar fazendo sexo desprotegido.

O teste de AIDS é oferecido em toda a rede pública, e também nos planos de saúde. Não há desculpas para quem não sabe se está ou não infectado. Em São Paulo e outras capitais, existe um teste rápido que fornece resposta imediata. Em menos de uma hora, você sai com o resultado em mãos. Eu me cuido, em todas as relações. Mesmo assim, faço o exame anualmente, pois prefiro manter a consciência tranquila.

Ameaças

AIDS é uma enfermidade perigosa, pois desestabiliza o sistema imunológico do organismo. Como os leucócitos são justamente o alvo do vírus, não existe vacina preventiva, pois o corpo não consegue criar anticorpos. Hoje em dia, apesar ainda de não existir cura para o HIV, a doença pode ser controlada com coquetéis de medicamento, como o AZT. Os efeitos colaterais chegam a ser bem pesados, mas, ao se tratar, é preciso conviver com o vírus a vida toda.


O preconceito continua sendo um grave problema nesta luta. AIDS não se transmite com beijo de língua, não se pega em banheiros públicos. Sua forma de transmissão é apenas por meio de relações sexuais sem proteção ou no compartilhamento de seringas e materiais cirúrgicos não esterilizados. O respeito é uma atitude fundamental para que mais pessoas possam ser capazes de se assumir soropositivas e sejam aliadas na contenção do avanço da doença.

Muita gente reproduz até hoje o raciocínio falacioso de que alguém pode ou não ter DST segundo o seu estilo de vida ou opção sexual. Ou que a promiscuidade da pessoa a faz doente automaticamente. Há anos caiu o conceito errôneo de “grupo de risco”. Mas existe, sim, um comportamento de risco – deixar de se cuidar. Abstinência sexual não é a solução para evitar doenças, obviamente.

Riscos

Uma questão recorrente é sobre a possibilidade de transmissão de DSTs por meio de sexo oral. É bom lembrar que ele existe. No caso específico da AIDS, se o fluido sexual entra em contato com uma ferida ou área de inflamação na boca ou garganta, pode haver transmissão do vírus. Segundo recente estudo da Universidade da Califónia, o risco calculado para quem faz sexo oral desprotegido em parceiro HIV positivo é de 0,04%. Bem menor do que, por exemplo, o risco encontrado para sexo anal sem proteção, que seria de 0,82%. E quando falamos de outras afecções, o risco tende a ser bem maior.

Bom lembrar que a AIDS não é a única doença sexualmente transmissível, apesar de ser a que mais assombra. Tampouco é a única para a qual não existe cura. Bactérias resistentes a antibióticos desenvolveram uma nova patologia chamada supergonorreia – que se aponta como nova epidemia global, já relatada na europa e oriente, alarmando a OMS. E a lista de DSTs se estende ainda mais: herpes, HPV, clamídia, hepatite, sífilis, cacro, molusco contagioso e tantas outras, incluindo até as menos danosas como candidíase e infecções por tricomoníase ou por gardnerella – que podem estar relacionadas a descuido com a higiene íntima.

Por isso o acompanhamento rigoroso com a ginecologista ou, no caso dos homens, o sempre ignorado urologista é fundamental. Além de ficar atento a qualquer sintoma, seja em si mesmo ou no parceiro. Feridas, verrugas, secreções (em especial as mais densas, de coloração amarela ou de odor forte), ou mesmo o aparecimento de bolinhas na região genital não são normais. É preciso fazer exames periódicos e não se acanhar na hora de cobrá-los de seus parceiros sexuais. A única garantia efetiva de que a saúde do outro está em dia é o seu “nada consta”.


Faça parte dessa luta. Informação é a principal arma de combate.

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