A pornografia em quadrinhos de Carlos Zéfiro

Carlos Zéfiro, pseudônimo do funcionário público Alcides Caminha, foi o pioneiro dos quadrinhos de sacanagem no Brasil, na época distribuídos de forma totalmente marginal. Os traços do seu desenho tosco impressos de forma artesanal lembravam os conteúdos de literatura de cordel. As histórias de conteúdo explícito retratavam fetiches e personagem bem brasileiros, àquela época. Adultério, sexo interracial, voyeurismo – eram recorrentes nas páginas produzidas por Zéfiro.


As revistas eram publicadas no esquema fanzine: orçamento curto e distribuição precária. Na São Paulo da década de 1950, eram vendidas dentro de folhetos e publicações religiosas, para ninguém desconfiar do teor do material. Com isso, o trabalho de Zéfiro ganhou o apelido de catecismo. Mesmo tendo que contar com um esquema de distribuição precário, as histórias vendiam muito – em média, a tiragem inicial de cada revista era de 5 mil exemplares.

Os “catecismos” eram desenhados diretamente sobre papel vegetal, o que eliminava a necessidade do fotolito, e impressos em diferentes gráficas em diferentes dos diversos estados brasileiros. Surgiram, assim, diversos imitadores. Em 1970, durante a ditadura militar, fizeram uma investigação para descobrir o autor daquelas obras pornográficas. O editor Hélio Brandão, amigo do artista, chegou a ser preso poe três dias, mas a investigação terminou inconclusa.

Seus quadrinhos eram inspirados em quadrinhos românticos mexicanos publicados da editora Editormex e em fotonovelas pornográficas da Suécia. O nome Carlos Zéfiro foi escolhido por causa de um autor mexicano de fotonovelas. Caminha manteve o anonimato sobre sua verdadeira identidade por temer ter seu nome envolvido em escândalo. A lei que regia os funcionários públicos à época previa punição por “incontinência pública escandalosa”, o que poderia resultar, inclusive, na retirada dos proventos com os quais mantinha a família.

Caminha revelou sua identidade nas páginas da revista Playboy em 1991, após uma longa investigação do então editor Juca Kfouri. Emnovembro do mesmo ano participou da I Bienal de Quadrinhos. Em 1992, pouco antes de falecer, recebeu o Troféu HQ Mix – o principal prêmio dos quadrinhos brasileiros - como reconhecimento da importância de sua obra.

O documentário Zéfiro Explícito, com direção de Sergio Duran e Gabriela Temer, conta a história da revelação da identidade do quarinista. Assista aqui.

Zéfiro Explícito trailer from sergio duran on Vimeo.

Clique na imagem abaixo para ler a íntegra de uma revista de Carlos Zéfiro:

6 Comentários. Polemize.

Deixe uma resposta