Shiko, sem tarjas

O artista plástico paraibano que hoje mora na Itália ficou conhecido pelo seu trabalho primoroso de erotismo. As ilustrações de Shiko estamparam a capa da primeira revista Zupi Erotika, em 2009, e precisaram ser tarjadas para chegar às bancas. Em entrevista impressa na mesma publicação, ele fala sobre os limiares entre erotismo e pornografia – e todo o moralismo embutido nesses conceitos.

[A distinção entre arte erótica e pornografia] é uma separação que eu não faço. Mas qualquer um identifica as fronteiras. São limites que literalmente “empatam a foda”. É um limite que não quero ter e funciona assim:

O casal entra no quarto. Solo de saxofone. Eles começam a tirar a roupa, deitam-se com ternura. Neste momento, a câmera deve mostrar apenas o beijo apaixonado ou as mãos entrelaçadas, ou o abajur. Mais que isso seria pornográfico. O “bem bom”, o “amor de verdade”, a penetração com conteúdo, o chupa-aqui… Nada disso pode, pois se entende por aí que arte erótica é uma combinação de imagens que se limitam ao conteúdo de “bom gosto” e, neste pacote, cabe peitinho e bundinha.

Os ensaios da Trip são um bom exemplo disso. As fotos são bonitas, mas não pode ter pentelho, que é de mau gosto e, portanto, pornográfico.

Não tenho nada contra essa receita – eu mesmo uso essa fórmula com recorrência. O que me incomoda é a ideia de que tudo além disso é de mau gosto e ofensivo, e que o pornográfico deve ser evitado.

Para os defensores do tal “erotismo de bom gosto” só há beleza em mulher de costas, de calcinha ou na contra luz. Há um puritanismo na fórmula: a moça se despe e ingenuamente se insinua, mas é pura. O cu que é bom, ninguém quer dar.

 

Já deu para ter ideia do que se trata a arte de Shiko, né? Aprecie sem moderação:

Clique nas imagens abaixo para ler duas histórias em quadrinhos de Shiko:

Flora

Mais uma mulher honesta que se vai

9 Comentários. Polemize.

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