Festival Pop Porn – o pornô ao alcance de todos


Festival Pop Porn – o pornô ao alcance de todos

Altporn, postporn, subporn – o festival Pop Porn, que aconteceu neste final de semana na Trackers, centro de São Paulo, é uma boa amostra de como a pornografia é bem mais complexa do que meros filmes de sexo sem roteiro, e pode ser usada para diversos fins, inclusive terrorismo político. O hotel abandonado que já virou roteiro da cena alternativa paulistana foi tomado de debates, workshops, produtos à venda e mostras de filmes adultos do mundo inteiro. De sexta a domingo, produtores de conteúdo erótico puderam compartilhar suas experiências e conhecimentos. Além de conhecer as novidades do gênero, o público pôde aprender técnicas para filmar pornô, a arte do shibari (amarração japonesa), discutir o futuro da pornografia e sua apropriação pelo feminismo. Pop Porn transitou entre as fronteiras da indústria do sexo, cultura pop e arte.

Participei do workshop de Sensualidade Burlesca, com o coletivo The Burlesque Takeover e amei. Pretendo tratar escrever mais detalhadamente sobre o que aprendi no curso, em outro post.

A abertura do festival contou com performances de burlesco da dançarina e stripper Sweetiebird

Depois do workshop, assisti à sessão Pornô Br, com o lançamento de alguns curtas nacionais. No Brasil, já se foi o tempo em que era fácil fazer dinheiro com pornografia – antes da internet, quando as pessoas recorriam à locadoras em busca de entretenimento. Hoje em dia, com todo o tipo de conteúdo explícito acessível a poucos cliques, grande parte da produção brasileira é independente. A produtora Xplastic vai na contramão do movimento e mantém a produtividade de filmes, fotos e eventos voltados para o altporn – gênero de conteúdo adulto envolvendo subculturas, como punks, góticos, indies, garotas tatuadas, com piercings, escarificações, etc.

Workshop Pornô: Faça Você Mesmo, com a modelo Bruna Vieira

Destaque para o filme do diretor Carlos Café Autorretratos – SUcasa, SUbporn, em que ele filma uma garota não identificada se deliciando em casa, fotografando-se com uma Polaroide. Curiosamente, a narração do filme foi toda feita pelo tradutor do Google.

O filme de pornoterrorismo Amor Com A Cidade mostra a atriz Juliana Dornelles masturbando-se em meio a passantes na rua e simulando atividade sexual com aparatos urbanos – estátuas, escadas, corrimãos, até o próprio asfalto. Em vez de se deixar foder pelas metrópoles de São Paulo e Porto Alegre, a personagem literalmente fodia a cidade.

Cena do filme Amor Com A Cidade

A programação foi intensa, de manhã até de noite, encerrando-se com festas badaladas. Não à toa, o festival ficou conhecido como Virada Porn. Se você também foi ao Festival Pop Porn, conte nos comentários sobre o que mais gostou.

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