Fantasias perturbadoras

Repasso mentalmente a sequência dos fatos que ocorreram na noite em que o conheci. Memórias tomam a forma de frases e tenho que largar o secador, com o cabelo ainda molhado para procurar em minha mesa qualquer pedaço de papel solto. Rabisco, às pressas, aquelas ideias, tentando acompanhar a velocidade em que surgem em minha mente.

Termino a escova, capricho no batom vermelho cereja e saio, já atrasada para a balada, antes mesmo de conseguir ligar para minha amiga. Quando entro no carro, volto a experimentar a sensação de palpitação que sentia diante da voracidade com que ele me despia, na cama do motel. Tais imagens ainda perturbam meus pensamentos. Procuro um guardanapo no porta luvas afim de garranchar algumas divagações. Não esperava que ele fosse tão selvagem.

Dirijo por ao menos uma dezena de quilômetros até a festa onde combinei com as meninas. E todas aquelas cena de sexo repassam em minha cabeça, novamente. Penso em despir um pouco as minhas roupas curtas e filmar para ele assistir. Quero que veja como estou. Meu corpo esquenta, tenho vontade de me tocar. Mas não. Preciso me concentrar em acertar o caminho, encontrar uma vaga para estacionar. Isso pode ficar para depois.

Encontro uma galera dentro da casa noturna. Peço uma dose de vodka com energético. Brindamos. Todas as mulheres com quem converso dizem estar afim de se enroscar com algum cara – assim como eu. Há quase um mês não faço sexo. E muito mais tempo se passou desde a última vez que me vi inerte, toda suja de suor, ofegante, de mãos trêmulas e pele latejando. Como me senti ao final daquela noite. Lembranças se confundem em minha mente.

- Mas tá difícil encontrar alguma coisa interessante por aqui, né? – Debocho, já entediada dos rostos que vejo ao meu redor.

A música está uma merda e nem dá para dançar. Fora da pista, faz frio. Minha amiga se irrita com o barman, após horas esperando para ser atendida. Um rapaz loiro que ela me apresenta parece o mais bonito de toda a balada – não que isso seja grande coisa. Lanço alguns olhares para ele. Passo a reparar nos detalhes do seu rosto, na barba bem cuidada, olhos claros. O fato de não sentir sua boca encostar minha bochecha ao me cumprimentar incomoda-me profundamente.

Ali, enquanto a gente aguarda o péssimo atendimento do bar, todo mundo calado, com cara de quem está tentando se divertir, começo a me imaginar brincando comigo mesma, filmando-me no espelho para que ele possa também ser voyeur da minha depravação. Fecho os olhos. Aperto uma perna contra a outra, contraio-me por dentro. A calcinha umedece. Consigo sentir os mamilos enrijecidos. Dou um gole na vodka. Observo em minha volta.

Chego à conclusão de minha fantasia solitária me excita muito mais do que a perspectiva de qualquer coisa que possa acontecer naquele lugar. Peço outra dose de bebida. Circulo em torno das pessoas, mais uma vez. Divirto-me com quem está lá. Porém, após pouco mais de uma hora, parecem esgotadas as opções do que fazer. Chego para dar um último beijo em uma das garotas que fui encontrar. Gasto o resto da minha consumação com chicletes de três reais e vou me despedir da galera. O beijo igualmente chocho que sinto estalar longe do meu rosto quando o rapaz loiro me diz tchau é a confirmação de que nenhuma outra investida valeria a pena.

Dou a partida no carro e toda aquela história da noite no motel volta a se transformar em palavras dentro da minha cabeça. As sentenças que se constróem confundem-se com imagens em movimento e algumas cenas estáticas bem excitantes, que surgem diante dos meus olhos. Perco-me em locais escuros no centro de São Paulo, onde homens estranhos passeiam de madrugada. Acelero, assustada. Dou mais algumas voltas, até que consigo chegar em casa. Entro correndo até o banheiro. Arranco de uma vez a calcinha e a meia calça. Tiro o sutiã que me aperta. Respiro, aliviada.

Ao levantar do vaso, olho-me no espelho e vejo meus mamilos em evidência sob a blusinha transparente. Sou seduzida pelo meu reflexo. Exalo desejo. Dou um sorriso safado e esfrego as mãos sobre eles. Abro a boca em um longo suspiro. Caminho a passos lentos até o meu quarto. Sento na cama, bem diante do espelho. Declino de leve o tronco para trás, levantando uma perna. Mordo o lábio. Tesão.

Ligo a câmera do iPhone e começo a brincar com meu corpo, imersa em minhas próprias fantasias. Amanhã ele deve receber esses vídeos, por email.

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