Loucura sexual é doença?


Loucura sexual é doença?

Caros leitores e admiradores da Lasciva,

Esta é minha coluna de estréia no site. Vou abordar a parte técnica e comportamental da sexualidade humana (e, por que não, falar umas sacanagens também?). Estou aberto para responder a questionamentos e dúvidas dos leitores. Deixo claro que não terá um divã no site, ok?!

As perguntas sobre sexo são várias, afinal, vivemos sexo diariamente. Desde a cueca ou calcinha que vestimos, o perfume que usamos, o cabelo, roupa, tudo, envolve nossa sexualidade. Porém, não podemos vivê-la plenamente/ Isso requer abrir mão de alguns conceitos. Podemos esgotar o repertório rapidamente. É importante e saudável viver intensamente. Sem exageros, claro.

Nas pesquisas ou em relatórios, nós médicos precisamos seguir determinados protocolos para guiarmos o tratamento. No Brasil e na Europa, utiliza-se a CID-10 – Código Internacional de Doenças, que já está na décima versão. Os americanos preferem a DSM-IV-TR – sigla para o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, quarta edição, texto revisado.  A CID-10 classifica os transtornos de identidade sexual e da preferência sexual na parte que trata dos transtornos da personalidade e do comportamento no adulto.

Mesmo assim é sempre questionável o que se configure como “doença” e o que é “normal” ou “aceitável”. A OMS diz que a pessoa promíscua é aquela que tem mais de 4 parceiros sexuais por ano (!!!). Muitos de vocês devem se encontrar nessa classificação, espero.

Enfim, a Medicina tem a tendência (e a necessidade) de classificar para poder organizar e estudar de forma mais específica. Mas os médicos também são de carne e osso e têm os seus desejos. Não pensem que somos santos!

Transtornados

A CID-10 classifica os transtornos da identidade sexual em: transexualismo; travestismo bivalente; transtorno de identidade sexual na infância; e outros não especificados. Já os transtornos da preferência sexual são: fetichismo; travestismo fetichista; exibicionismo; voyerismo; pedofilia; sadomasoquismo; transtornos múltiplos da preferência e outros não especificados.


Pretendo abordar cada um deles, tratando de forma específica e com exemplos práticos.

Quem não conhece aqueles que curtem um sexo na pracinha, ou alguém que já ficou pelado numa janela… Sabe aqueles casais que gostam de transar de cortina aberta e luz acesa? Então, provavelmente se trata de exibicionismo em dupla. Ou aquele cara que sente prazer sexual em se fantasiar de mulher, tornando-se submisso. Esse pode ser um problema de travestismo fetichista.

Temos que ter muito cuidado para não sair classificando qualquer um de forma aleatória. Para ser um transtorno, primeiro deve estar prejudicando o indivíduo de alguma forma (pessoal, profissional ou financeiramente). A pessoa precisa ter a noção de que gasta mais tempo ou mais dinheiro, deixando de dar a importância que dava a coisas mais relevantes. Ou quando os amigos ou a sociedade o informam de que ele se expondo demais.

Confuso, né?! Mas terei esse espaço para tratar, todo o mês, sobre os caminhos tortuosos do labirinto sexual humano. Responderei, também, a dúvidas pessoais sobre problemas de ordem mental ou biológica, relacionados à sexualidade. Estou aberto a sugestões, críticas e outras questões.

Até a próxima!

 

* Dr. Nelson Cardoso é psiquiatra com especialização em dependência química e comportamentos compulsivos, que estuda a sexualidade humana. Mandem suas questões técnicas para lascivacontatudo@gmail.com

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *