Love story


Love story

Conheci Dimitri em um evento de social media. De cara, notei como seu visual destoava da maioria dos blogueiros que estavam ali. O garoto é mais velho que eu, apesar de não parecer. Analista de sistemas, criou um blog de tecnologia que se tornou conhecido no meio dos nerds. Eu havia entrado no seu site, uma ou duas vezes.

Algo pareceu interessante naquele rapaz. Trajava roupa social, tinha um topete estilo mauricinho. Alto, musculoso, não era tão bonito. Nariz de batata, olheiras profundas, bochechas magras. Um corpo gostoso. Olhou-me com malícia, quando fomos apresentados. Deu para notar no que estava pensando. Também, né? Difícil não pensar bobagem, ao conhecer uma garota de saia curta que se intitula “Lasciva”.

Na hora de me despedir, no fim da tarde, ele me convidou para um café. Eu estava apressada, ainda tinha um monte de coisas a fazer, em casa, antes de dormir. Mas acabei topando tomar um cappuccino, na sua companhia, ali perto. Quis ver no que a conversa ia render.

Passamos mais de uma hora conversando. Contei muita coisa da minha vida, conheci ele de perto. Saquei que ele era safado ,do jeito que eu gosto. Inclusive, chamou-me ir uma noite com ele ao Love Story, de onde o rapaz é habituée. Eu nunca tinha pisado na clássica casa noturna de after hours do centro paulistano, onde as garotas de programa da região costumam encerrar sua noitada.

A segunda vez que o encontrei foi numa festa de bacana, numa mansão do Pacaembu, com bebida liberada. Ofereciam drinks gin e martini. Empolguei no frenesi da noite e resolvi fazer aquilo que mais gosto – provocar. Era a primeira vez que estive com uma galera de quem eu conhecia apenas os avatares do Twitter. Avisei a Dimitri e a dois outros caras que iria tirar a roupa. Entrei com eles em uma sala de espelhos e pus os peitinhos para fora. Os garotos ficaram bem interessados, vieram me fotografar. Mas os seguranças viram e me pediram para me vestir. A verdade é que achei o evento muito formal e queria animar a festa. Mas parece que os organizadores não gostaram nada nada da repercussão da minha nudez.

Não lembro como essa noite acabou. De manhã, quando abri os olhos, eu estava em um apartamento mal iluminado, de poucos móveis e uma pequena bagunça espalhada pelos cantos – a típica moradia de um homem de menos de 30, que mora sozinho. Dimitri estava ao meu lado, deitado na cama. Tinha os olhos abertos, apesar da expressão de muito sono. Sorriu, quando me virei para ele.

– Como a gente chegou aqui ontem? Não lembro – perguntei, ainda um pouco assustada com a situação.
– Você esqueceu tudo? Lembra de dançar sertanejo comigo, na minha sala?
– Sertanejo? – franzi a testa – Não é possível.
– Você leva jeito! – provocou ele, que sabe bem que a rocker aqui não curte nem um pouco o gênero – Não lembra de nada, nada mesmo? Nem o que você fez na festa?
– Ah, que paguei peitinho? Isso eu lembro, claro – soltei uma risada tímida. – Minha memória vai até o momento em que entramos no carro.
– Você não conseguia dirigir! – revidou – Ligou o carro e andou um pouco, mas quase catou o meio fio. Aí então te pedi pra parar e assumi o volante.
– Ufa! Você salvou nossa vida. Te devo essa, ein? – suspirei, me senti realmente grata. Eu não tinha mínimas condições de guiar.
– Lembra onde você dormiu?
– Onde? – arregalei os olhos.
– Sentada no vaso sanitário do meu banheiro – respondeu ele, contendo o riso.
– Ai, que vergonha! Não acredito! Me desculpe – corei as bochechas e tapei o rosto com as mãos.
– Tudo bem! Ahahahah. Relaxa. Também não lembra o que fizemos aqui, né? – perguntou enquanto alisava minha cintura.
– Tsc, tsc, tsc – balancei a cabeça, fazendo sinal de não, com um sorriso envergonhado.
– Acho que vou ter que refrescar sua memória – o rapaz abriu minhas pernas e desceu com sua língua entre elas.

Não sou de recusar sexo oral. Deixei-o brincar ali. Tentei fazer cara de quem estava gostando, observei. A ressaca consumia meu corpo, a cabeça doía. Eu estava tensa, tinha que sair para trabalhar, ainda naquela manhã. Permiti que fizesse o que queria com o meu corpo. Empinei o bumbum para ele meter. Gemi um pouco. Foi até bom, mas na verdade, não consegui curtir. Era muito cedo e minha cabeça estava cheia e confusa. Quando me despedi, voltei dirigindo para casa. Ainda não era nem oito da manhã.

A gente ficou cada dia mais próximos. Ele se ofereceu para me ajudar com algumas ideias, afim de melhorar meu blog. Passamos a nos falar diariamente, via chat. Contratei um webdesigner para reformular o layout. O garoto continuou acompanhando evolução do meu projeto. Agendei a festa de lançamento do blog e estava super envolvida na produção dos preparativos. Dimitri me chamou para sair numa sexta à noite. Marcamos de nos encontrar em um bistrô na Rua Augusta. Vesti uma saia rodada, curtíssima, uma jaquetinha cinza sem manga e fui encontrá-lo. Quando cheguei, comi algo leve e  o convidei para ir comigo na festa de um amigo.

Entramos, encontrei o amigo promoter. Batemos um papo, recebi vale drinks. Fui para o meio da pista, dançar. Subi no palquinho e comecei a rebolar como eu gosto. Avistei meu paquera voltar do bar com um copo de vodka na mão, lancei alguns olhares. Ele me viu e veio em minha direção, me encarando com expressão de desejo. Continuei remexendo a cintura, até sentir apertar seu corpo rente ao meu. A essa altura, a gente já se tratava com a intimidade de um casal. Requebrei, subindo e descendo o bumbum. Rocei meu corpo no dele. Seu descaramento me excitava ainda mais. Apertava meus seios na frente de todos. Fazia movimentos estimulando seu pau no meu ventre. Puxou minha mão para dentro da sua calça. Saímos de lá antes das 3h da manhã, semi bêbados. Partimos para o Love Story. Eu estava empolgada para finalmente conhecer o local.


O antológico club da fachada de corações em neon vermelho fica bem de frente ao edifício Copan. Estava lotado, por fora e por dentro. Muito mais que eu imaginava. Uma imensidão de pessoas. Homens grandes, pequenos, negros, brancos, amarelos – todos muito mal encarados. Mulheres de todos os tipos, a maioria com pouca roupa. Peitudas, bundudas, voluptuosas. Dançavam no alto de postes dispersos em  ao longo da pista. Há uma passarela onde as pessoas podem subir, no centro do salão. Na parede do fundo, um mezanino. Dimitri me puxou pela mão, percorremos o ambiente, no meio da galera em direção às escadas que levavam ao piso superior, onde fica a cabine do DJ. Pegamos um drink no bar lá de cima. Ele me levou até a vista lado das pickups, onde dá para ter visão panorâmica da pista. Quanta gente!

Perguntei se ele era cafetão. Dimitri conhecia a todos no Love Story. Inclusive as garotas de programa, de nome. Apresentou-me o DJ. Bebemos mais um drink. Quando acabou, pedi-o que descesse comigo. Queria curtir a festa, no meio da galera. Fomos a um poste do centro da pista, subi em um degrau no alto do mastro. O rapaz ficou me olhando. Eu sorria de volta enquanto me insinuava no ritmo, rodopiando ao redor daquela peça de aço. Pouco depois, ele avisou que iria até o bar. Dei-lhe um beijo guloso e pedi que voltasse logo.

Meus quadris se movimentavam conforme a música. Notei que as pessoas ao meu redor todas me olhavam. Dancei como em um show. Chacoalhei o bumbum, de um lado para o outro. Encostei de costas para o poste, com minha coluna colada a ele. Desci, deslizando no metal, de pernas abertas, bunda empinada. Uma dezena de homens chegou ao mesmo tempo para pegar em mim. Cada vez aparecia uma mão diferente percorrendo meus calcanhares, minhas coxas, por dentro da minha saia. Continuei o rebolado. Levantei, abaixei, abri e fechei as pernas. Joguei-me de um lado para o outro do pole. Em certo momento, percebi que fizeram um rombo na minha meia calça cor de pele. Havia diversos dedos disputando espaço dentro da minha calcinha. Assustei.

Fui me encolhendo para trás, tentando me desvencilhar dos braços brutos que me pegavam. Olhei para os lados procurando Dimitri no meio da muvuca. Avistei-o se aproximar de longe e desci para encontrá-lo. Um dos homens que roubava casquinha de mim durante a dança veio na minha cola. Começou a me puxar pelo braço, enquanto eu andava. Falei-o que estava acompanhada, mas ele não se deu por satisfeito. Nem quando viu o Dimitri me pegar pela mão, de cara fechada, e me levar de volta em direção ao mezanino. O tal homem continuou vindo atrás e, quando subi as escadas, ele me puxou ainda mais forte:
– Eu pago! Eu pago! – gritava, incorformado.

Meus “nãos” pareciam insuficientes para fazê-lo desistir. Ele só saiu de perto quando o segurança o barrou, na cabine do DJ.
– Nossa, viu isso? – virei-me para Dimitri
– Que mala!
– Ele tava me vendo dançar no mastro. Quando dei por mim, havia um batalhão de homens se acotovelando sob as minhas pernas!
– Eu vi. Mas você tava demais! – sorriu ele, segurando-me pela cintura.
– Gostou? Foi divertido. Mas, meu. Eles rasgaram minha meia calça e enfiaram as mãos lá dentro. Várias, ao mesmo tempo.
– É, eu reparei. Não gostei disso não – respondeu o garoto, sério.
– Empolguei dançando. Mas quando percebi a situação, chega assustei…

Ele me deu seu drink para eu beber. Agarrou-me pelas costas, acariciou minha nuca com os lábios. Fiz um chamego e lhe dei um beijo de língua. Ficamos naquela curtição, descansando na cabine do DJ. Então ele apertou minha mão.
– Vem cá! – disse

O rapaz encostou sua palma em meu quadril, direcionando-me para onde queria me levar: a passarela no centro da pista. Subimos juntos, abrindo espaço para entrar no meio das pessoas empoleiradas sobre aquele andaime. Ali, apresentou-me uma mulher de cabelo amarelo tingindo, na altura do ombro, top decotado preto, calça jeans bem justa e algumas banhas à mostra. Ela dançava agarrada a outra amiga, também meio baranga e garota de programa. Dimitri beijou as duas e então me pegou pela cabeça para darmos um beijo triplo na primeira delas. Aceitei, apesar de ela não fazer meu tipo.

Descemos da passarela e acabei indo parar entre algumas mesas. Foi ali que o meu par me apresentou a Bombom. Uma morena de volumosos cabelos encaracolados. Usava um vestido tomara-que-caia preto, bem colado no corpo, que deixava todas as suas curvas em evidência. Uma boca que se abriu em um sorriso cativante. Seu perfume era delicioso. Ela inspirava volúpia. Como quem é arrebatada por um desejo  profundo, observei-a de perto. Percorri minhas mão sobre seu decote, toquei sua cintura.

De repente, sem qualquer explicação, um segurança me pega, com força, pelo braço. Puxou-me, esbravejando palavras que eu não conseguia ouvir. Vi que minha bolsa havia ficado para trás, enquanto aquele bruto me puxava em direção à porta. Tentei empurrá-lo, me desvencilhar da sua grosseria. Parecia que ele ia me violentar.
– Minha bolsa ficou para trás. Você não tem respeito? –  gritei para ele.

Dimitri se meteu no meio e me segurou.
– Fica quieta. Você tá louca de revidar o segurança?
– Mas eu não fiz nada de errado, estava apenas dançando! – reclamei, enquanto vi Dimitri argumentando alguma coisa com ele.

O segurança ainda me olhou com um olhar ameaçador e proferiu algo ininteligível. Depois, virou as costas e se foi. Fiquei em choque. Busquei minha bolsa e saí às pressas. Dimitri veio comigo. Lá fora, na porta da boate, chorei copiosamente, abraçada no garoto. Aquela cena me fez sentir muito mal. Não consegui controlar, era desesperador. Soluçava, gemia, lágrimas caiam sem parar. Eu não sabia qual era o motivo de o cara ter feito aquilo comigo, mas estava claro que ele não me respeitava. Assim como homem nenhum tinha respeito por qualquer mulher lá dentro. Por um momento, senti como é ser uma garota de programa e ter que se deparar com a indiferença da sociedade. Com as pessoas te tratando como se tivessem direitos sobre você. Como se o seu corpo não te pertencesse. Sentei por um tempo em um degrau, afastada das pessoas na porta. Ele não entendia nada. Nem eu entendia direito o que eu estava sentindo.

Passado aquele de momento sensibilidade à flor da pele, voltamos lá dentro, rapidamente. Dessa vez, queria ficar só nós dois. Não tinha mais clima para bagunçar. Curtimos um pouco a pista, dançando agarradinhos. Chegamos em casa quando já amanhecia, ainda empolgados. Dimitri parecia cheio de tesão e gás. Entrou me segurando pelo cabelo, começou a arrancar minha roupa. Empurrou minha cabeça para baixo, me fez engasgar, forçando para eu engolir seu pau por completo. Várias vezes ele insistiu para meter em mim sem camisinha e não deixei. Fiquei me perguntando qual a necessidade daquilo. Fechei as pernas e fiquei esperando ele colocar o preservativo, para continuarmos a brincadeira. Deitei de lado, de costas para ele. Lentamente, o deixei me penetrar por trás. Em seguida, de quatro e deixei rolar um sexo anal mais forte. Foi estranho, mas gostoso. Ele chegou ao orgasmo ainda dentro de mim.

Não quis dormir com ele, pois tinha compromissos familiares. Descansei um pouco, curtimos meia hora de preguiça e carinho, na sua cama. Depois peguei o carro e ainda fui encontrar meu tio. Arrasada de cansaço. Passei o dia inteiro noiada, imaginando que Dimitri poderia ter transado comigo sem camisinha, na primeira vez que estivemos juntos. Eu nem saberia, pois não lembro de nada daquela transa.

Dias se passaram. Da próxima vez que saímos juntos, conversei para ele não ser tão inconsequente a ponto de dispensar o preservativo. Expliquei que daquela forma eu não poderia confiar nele. Nunca mais o garoto repetiu aquele gesto estúpido. A gente ainda curtiu bastante, um na companhia do outro.

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