O que não fazer ao se sentir rejeitada


O que não fazer ao se sentir rejeitada

E o meu namoro acabou de forma desastrosa e sofrida. Fiquei dias me sentindo péssima por magoar tanto aquele com quem dividi quatro anos da minha vida. Com os olhos marejados, contei às amigas como Binho ficou sabendo que eu o traía – a fatídica cena de vê-lo chegar no meu apartamento pela manhã, enquanto um amante e outra garota dormiam na minha cama. Nunca me perdoei por deixar chegar a esse ponto.

Binho, no entanto, se dispôs a perdoar – mais uma vez. Esquecer tudo e recomeçar novamente. Foi, certa noite, a um bazar das minhas amigas, afim de me encontrar e dizer que me queria de volta. Falou estar disposto a qualquer coisa para me ter de novo. Senti o coração encolhidinho de ver aquele rapaz que tanto amei em mais um belo gesto para expressar seus sentimentos por mim. Mas apenas neguei. O fiz sair de lá com o rabo entre as pernas. Era hora de aceitar que a gente não dava mais certo juntos.

Àquela altura, eu já estava balançada por outro homem. Cadu era um dos rapazes mais populares da cena indie da cidade. Sua bandinha de garagem fazia um som gostoso de dançar. Produzia festas, tocava nos clubs do momento. A gente se conheceu em uma vernissage com amigos e Cadu me chamou para jantar com ele dali a dois dias. Tinha um jeito meigo, carinhoso. Super culto e antenado. Eu adorava suas roupas e seu visual hipster. Sempre penteado, de barba feita.

Encantei-me com a educação do garoto, quando saímos juntos. Tinha um papo divertido, era todo atencioso. Ficou surpreso quando lhe disse que não ouvia rock – eu era fã de hiphop e a única banda do gênero que costumava ouvir era Rage Against The Machine. Assim que chegamos na minha casa, Cadu tirou do bolso um pendrive recheado de hits do glam rock anos 80 e pôs para tocar no computador, antes de ir comigo para o quarto.

Rolamos juntos na cama. Deliciei-me com seu perfume e os dentes tão lisos e brancos, que eram uma ótimos de passar a língua. Mas, ao despir seu corpo magro, a visão do seu pau me assustou. Sem brincadeira, era do tamanho do meu dedo indicador. Nunca vi algo tão pequeno. Fino na base, cabeça de diâmetro menor ainda – fazia o formato de um pequeno cone. Empenhei-me para continuar o sexo normalmente. Boquete, não rolava. Ele nem quis. Cadu fez questão de demorar no sexo oral, mas não mandou muito bem. Quando meteu em mim, quase não senti nada. Ao menos, foi algo doce, muito carinho. Vestiu a cueca mais que rapidamente, logo que terminamos. Pareceu complexado. Não era por menos.

Mesmo assim, o clima da noite foi uma delícia. Ele ligou no dia seguinte, já marcou mais outros dates igualmente incríveis. Apaixonei.

Cadu trabalhava com minha amiga Naty. Ela vivia me falando como ele era um fofo, descrevendo as coisas que o rapaz fazia. Sempre concluía dizendo que a gente devia ficar juntos, que ele era um homem fera, como eu merecia. A real é que Naty não gostava nada do Binho e estava louca para me empurrar outro partido. Só que minha amiga desconhecia o fato de que Cadu não partilhava os mesmos planos que ela. Após nosso terceiro encontro, ele parou de ligar e de atender meus telefonemas. Afastou-se totalmente.

Naquela época, Orkut era ainda novidade. Eu acompanhava, no perfil do Cadu, tudo o que ele escrevia para outras garotas – cantoras, artistas, famosinhas como ele na mesma cena indie. Sabia que o cara tinha fama de pegador e vivia cercado de mulheres. Aquilo só me fazia sentir mais e mais rejeitada.

Pouco depois, rolou um mega show aberto, em um palco público, com diversas bandas e alguns nomes famosos do rock nacional. Era um belo domingo de sol. Cheguei lá com a Naty e seu namorado. A garota não parava de falar como eu devia ficar com o Cadu, que ele era incrível e perfeito para mim.
– Mas eu nem consigo falar com ele, há dias. Acho que o Cadu não quer mais, amiga…
– Que nada. Vai lá e mete um beijo na boca dele! – incentivou ela.

Ainda estava na dúvida se aquela era uma boa ideia, mas suas palavras me encheram de coragem. No momento em que topei com o Cadu, no meio da galera, cheguei bem perto, de olhos brilhando. Apenas disse “oi” e lhe tasquei um beijo de língua. Não fui correspondida. Ele interrompeu o ato, beijou minha testa e saiu fora. Fui chorar com minha amiga que aquilo não tinha dado nada certo. E beber cerveja. E beber mais. Até andar torto.

No final da noite, assim que me deixaram em casa, resolvi ligar para ele. Cadu não atendeu. Continuei insistindo. Fiz vinte, trinta, quarenta ligações para o celular do rapaz. Nenhuma resposta. Então, com toda a ignorância de uma bêbada rejeitada, resolvi dar um desfecho à situação. Escrevi a seguinte mensagem: “Você se acha o máximo, mas é o mínimo. O menor que já vi na vida”.  Ponto.

Assim que apertei “enviar”, percebi como aquilo não me fez sentir melhor. E o pior: eu não podia reverter. Fui dormir de consciência pesada. Acordei sem acreditar no meu gesto ignorante. Tempos depois, apenas pedi à Naty para dizer a ele que fiquei bêbada e perdi a noção, que me sentia uma idiota ridícula.

Fazia apenas um mês desde que Binho e eu nos separamos de vez. Qual foi a minha surpresa ao descobrir que ele já estava morando junto com outra garota. E não era qualquer pessoa que de repente apareceu na sua vida. Lúcia, que vivia grudada da minha amiga de infância Surya, teve um caso com ele, numa época em que nos separamos. Ela me odiava. De verdade. Tanto que criou a comunidade do Orkut: “Eu odeio a Lasciva”. Também fez a outra comunidade: “Eu amo a Lasciva”. Foi a sua forma infantil de zoação. Diversas amigas minhas entraram nas comunidades para xingá-la ou me elogiar. Amigas dela fizeram o mesmo. Uma baixaria. Tempos depois, ela apagou tudo.

Saber que o Binho estava praticamente casado com uma garota que não tinha pudores em expressar seu ódio infundado por mim (nunca fiz absolutamente nada contra ela) – bem na época em que sofri uma rejeição amorosa de outro homem – foi demais para a minha cabeça. Na mesma noite, fui até a casa onde ele costumava morar, com o irmão Pierre, para constatar com meus próprios olhos: Binho não estava lá. Havia mesmo se mudado para a casa de Lúcia.

Um imenso sentimento de revolta se apossou de mim. Comecei a ver ali todas as coisas dele que ficavam na minha casa. Peguei um cinzeiro de cristal e joguei no chão, com força, para vê-lo se espatifar em centenas de pedacinhos. Empunhei a katana dele, afim de quebrar tudo. Pierre conseguiu me segurar, tomou de mim aquela espada samurai, disse que eu estava completamente louca e me escorraçou embora para casa.

Não consegui dormir. Passei a noite aos prantos, soluçando, mordendo o travesseiro. Acho que a sensação de perder um namorado não foi tão ruim quanto ver seu amor por mim se esvair daquele jeito. É impressionante como o sentimento de posse toma conta quando nos sentimos trocados.


Logo pela manhã, saí de casa com o cabelo desgrenhado, olheiras profundas e um sobretudo. Fiquei embaixo do prédio dela, esperando-o descer para o trabalho. Percebi como ele ficou comovido de me ver. Comentou como eu estava horrorosa e me abraçou. Disse para ele que queria acompanhá-lo no seu caminho. Nem sei o que falei, neste dia – acredito que todos os clichês possíveis e imagináveis. Passei a tarde inteira o esperando sentada no boteco que havia embaixo da empresa onde ele trabalhava. Bebendo. Ao final do expediente, ele fez questão me acompanhar até a porta da minha casa e me pediu para ficar lá e ir dormir.

Após toda essa crise de insanidade, desisti daquele sofrimento e fui viver minha vida. Difícil ser racional nos relacionamentos, mas pelo menos não cometi os mesmos erros. Meses depois, soube que Binho e Lúcia se separaram e ela começou a namorar o Maurão – que, coincidência ou não, foi outro homem com que tive um longo caso.

Um ano depois, Binho e eu tivemos ainda um rápido flashback, pouco antes de me envolver com o Leo – por quem me apaixonei perdidamente e fiquei cinco anos casada. Complicado se desvencilhar das pessoas importantes na nossa existência. Algumas ficam para sempre, de uma forma ou de outra.

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