Penso em sexo o tempo todo. Sou ninfomaníaca?


Penso em sexo o tempo todo. Sou ninfomaníaca?

A medicina e a ciência como um todo desenvolvem categorias que ordenam os fenômenos naturais, biológicos e sociais. É o que permite analisar as situações com mais clareza e intervir em problemas ou patologias. Nem mesmo o método científico encontra respostas definitivas para todas as questões. Sempre pode surgir um novo estudo, à luz de diferentes descobertas, para contribuir com pontos de vista distintos sobre o mesmo assunto. Mesmo assim, o conhecimento empírico traz avanços às reflexões sobre o mundo ao nosso redor e nos ajuda a atuar sobre ele.

Por isso, convidei o Dr. Nelson Cardoso, psiquiatra especializado em comportamentos compulsivos e que estuda a sexualidade humana, para me ajudar a encontrar respostas a certas dúvidas que chegam até mim. Ele deve responder questões mais objetivas, com base nas contribuições da comunidade científica. Caso você queira pedir alguma orientação diretamente a ele, preencha o formulário Fale Comigo no rodapé do site e mencione o Dr. no assunto.

A dúvida abaixo chegou em uma troca de emails, após uma garota me contar que tinha acabado de participar do seu primeiro sexo a três.

 

Lasciva, eu penso em sexo o tempo todo. TODO.
Tem como saber se sou ninfomaníaca?

 

Cara Leitora,

Somente pensar em sexo não a caracteriza como ninfomaníaca. A questão gira em torno do pensamento seguido de uma prática excessiva. Não é o número de vezes que você transa que configura o problema, mas como a quantidade de relações que você tem relações influencia o seu cotidiano e as suas responsabilidades. Uma prostituta pode não ser ninfomaníaca – ela apenas faz do sexo seu trabalho e meio de vida.

A hipersexualidade (ninfomania) é um distúrbio no qual há atividade sexual exagerada, como uma patologia. A pessoa neurótica pode tentar obter satisfação pela repetição persistente do ato sexual; contudo, nunca alcançar aquela supressão de desejo que vem com o orgasmo completo. No recém-lançado filme Shame, o personagem principal enfrenta diversas dificuldades de relacionamento no seu dia a dia, por conta da sua compulsão sexual. A ponto de ter seu computador confiscado, no trabalho, por conter muita pornografia. Não consegue envolver-se emocionalmente, pois prefere recorrer a profissionais para satisfazer vontades imediatas. Como o título sugere, ele sente muita vergonha das próprias atividades, vivendo uma rotina solitária – o que lhe inflige sofrimento.

Cuidado: há quem se gabe de ter um comportamento “hipersexual”, mas como uma forma de desviar a atenção dos outros para longe dos seus problemas. Sexo distrai as pessoas.

Quem tiver outras questões, escreva para a Lasciva. Ela vai selecionar as dúvidas mais complexas e polêmicas para eu tentar responder.

Até a próxima!

 

* Dr. Nelson Cardoso é psiquiatra com especialização em dependência química e comportamentos compulsivos, que estuda a sexualidade humana.

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