Porque ser gay é motivo de orgulho


Porque ser gay é motivo de orgulho

A Parada do Orgulho LGBT (sigla para lésbicas, gays, bissexuais e travestis) de São Paulo era, até o ano passado, a maior do mundo. Em 2011, foram 4,5 milhões de pessoas nas ruas, celebrando o respeito à diversidade sexual e mobilizadas pelos direitos de igualdade dos homossexuais. Neste domingo, a 16ª edição do evento contou com um orçamento mais enxuto, se comparado ao ano anterior. O número de trios elétricos que percorreram o trecho no centro da cidade – que vai da Avenida Paulista até o final da Consolação – caiu de 16 para 14. O público ficou reduzido a cerca de 270 mil de pessoas, em 2012. Uma multidão reunida democraticamente para festejar sem restrições, por um dia inteiro.

A bandeira com as cores do arco-íris é o principal símbolo da da diversidade

A redução de um movimento que está próximo de completar a maioridade não significa, no entanto, a diminuição da força da comunidade gay. Pelo contrário. Mais livres para se assumirem, reconhecidos como trabalhadores honestos e pessoas de direito (como qualquer um), agora os homossexuais têm menos ameaças contra que lutar. Em muitos casos, conseguem simplesmente ser e fazer o que quiserem, sendo aceitos nas diversas camadas sociais.

O contraponto dessa liberdade é uma luta que tem ganhado adeptos e conta com forte apoio de representantes do governo: o movimento do Orgulho Heterossexual. Sentindo-se ameaçados pela legitimação dos gays, esses militantes conservadores batalham para disseminar suas ideias do que significa para eles o correto: combater o homossexualismo. O deputado federal Jair Bolsonaro, famoso por suas declarações racistas e homofóbicas chegou a cunhar o termo “heterofóbico” – querendo justificar que ele seria, na realidade, vítima, discriminado pela sociedade. Em outubro passado, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou o Dia do Orgulho Hétero. A questão é: precisa disso?

Durante a Marcha das Vadias, que participei neste ano, vi um grupo de pessoas com o rosto coberto, empunhando os seguintes cartazes: “Seus pais sabem que você é heterossexual?” “Quando você se assumiu hétero?” Essas perguntas irônicas demonstram a disparidade dos motivos de cada luta. De um lado, uma comunidade que precisava (e, em muitos casos, ainda precisa) mentir para os outros para conviver socialmente. A mobilização pelo orgulho gay surgiu para que essas pessoas não tivessem vergonha de suas escolhas de vida e, amparados em um movimento social, tomassem coragem para se assumir. No campo oposto, um grupo que batalha pelo direito de discriminar os outros e de apontar seus parâmetros do que é certo ou errado – como se fosse verdade universal. É muito contraditório. Acho justo a pessoa se orgulhar de sua opção sexual, mas apenas se isso não significar usurpar direitos adquiridos (a muito custo) pelos cidadãos.

Criminalização

O lema da Parada Gay 2012 foi Homofobia tem Cura: Educação e Criminalização. A escolha por essa posição política demonstra que ainda há muito por que lutar. Certas medidas, como o kit anti-homofobia produzido pelo Ministério da Educação para ser distribuído nas escolas públicas, são, ainda, necessárias para combater o preconceito contra os homossexuais. Educar as crianças a respeitarem as diferenças é apenas um primeiro passo. A aprovação do Projeto de Lei 122, de 2006, que tipifica a homofobia como crime, é um avanço fundamental e urgente para assegurar direitos sociais de igualdade a todos. É preciso amparo legal.

As drags são importantes representantes do movimento gay

Ninguém merece ser discriminado por sua sexualidade. Somente a partir do momento em que houver respeito às escolhas pessoais de cada um, poderemos conviver com harmonia. Sem que chefes de estado ou executivos tenham que manter esposas de fachada para exercer seus papéis públicos. Sem que gays sejam espancados ou apedrejados nas ruas – apenas por se beijarem, andarem de mãos dadas ou se expressarem com os trejeitos afeminados.

Todos somos cidadãos

Fantasias estampam a liberdade de agir como quiser

O incentivo ao uso de preservativos é uma das bandeiras do movimento LGBT

Centenas de milhares de pessoas coloriram as ruas de São Paulo neste domingo, para mostrar que você pode se orgulhar da sua opção sexual – seja ela qual for. Tenho orgulho de ser o que sou. E você?

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