Pósporno: o pornô político


Pósporno: o pornô político

Pósporno é um movimento sexual e social que busca criar alternativas ao padrão da pornografia vigente. Dessa forma, usa o pornô como instrumento político. Annie Sprinkle, atriz pornográfica da década de 1980, foi a precursora do gênero. Ela decidiu dirigir e produzir filmes alternativos neste circuito, partindo da premissa de que o desejo e o prazer feminino não eram representados pela indústria de conteúdo adulto. O pósporno surge, portanto, com uma motivação feminista, e logo é apropriado pela cultura queer.

Annie Sprinkle forjou o conceito de ecosexo: tesão pelo planeta, pelo cosmos, ecologia sexual

A filósofa Beatriz Preciado publicou, em 2002, o livro Manifesto contra-sexual: práticas subversivas da identidade sexual – que se tornou um dos pilares teóricos do pósporno. Ela propõe uma revolução sexual, com o fim da sujeição dos corpos a padrões preestabelecidos. Seria um rompimento da ideia de sexualidade ligada ao heterossexualismo patriarcal. Para isso, segundo ela, seria preciso uma desconstrução do corpo, das imagens de representação, do lugar dos órgãos sexuais. E propõe inúmeras novas reconstruções. Vai um pouco além de assumir os próprios desejos, ao se permitir recriar todas as vontades sexuais. Reinventar o sexo.

Beatriz Preciado subverte o conceito de ‘dildo’, apontando que formas fálicas podem ser encontradas ao longo de todo o corpo

O pósporno apela para o grotesco, o extremo, o violento. Produz cenas que podem ser consideradas asquerosas. Seus personagens não reproduzem padrões de beleza dominantes e se apresentam como alternativas estéticas. E atua como um movimento artístico marginal que chega a ser nonsense, como o dadaísmo.

O filme Dandy Dust ilustra um pouco dessa busca pela desconstrução da estética sexual:

O documentário Minha sexualidade é uma criação artística trata de pessoas e grupos que trabalham com pósporno em Barcelona, na atualidade. Sua intenção é revelar as causas, motivações e peculiaridades desta cena, marcada pela busca por construir outras formas de representação da própria sexualidade visível. Demonstra como arte e ativismo político são inseparáveis, neste movimento.

É interessante imaginar que, além de intrigar e provocar questionamentos, o pósporno pode, simplesmente, excitar as pessoas. Afinal, desejo sexual é algo muito singular e subjetivo.

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