Preserve-se


Preserve-se

O rapaz mais charmoso da balada chega em você, todo maroto. Papo vai, papo vem, sente afinidade com um monte de coisas que ele fala. Você começa a ficar bem interessada nele. Dividem alguns drinks, dançam juntos. Em certo momento, já totalmente no clima, ele te prensa contra a parede. Sente aquela mão no seu queixo e sua boca se abre naturalmente, para receber um beijo demorado. O sabor é gostoso.

Na saída da boate, acaba aceitando a carona dele. O rapaz dirige para a sua casa, com a mão nas suas pernas. Trocam afagos a cada sinal fechado. Ele estaciona em um ponto menos movimentado, perto do seu prédio. Começa o amasso de despedida. Quando você se dá conta, já se aboletaram no banco de trás. Sua roupa está aberta, os peitos de fora. Seu corpo sucumbe à pegada do cara e se deixa levar. Você está totalmente excitada no momento em que sente o pau dele tocar seu ventre, prestes penetrar.
– Tem camisinha?

O artefato mais indispensável do sexo seguro teria passado despercebido, se você não perguntasse nada. Não sei o que se passa na cabeça daquele homem para, com a idade que ele tem e seu grau de instrução, já dispensar o preservativo na primeira transa. Mas, de tanto que já os vi tentar transar sem camisinha logo de primeira, não surpreende mais.

A resposta é temida. Um “não” nessas horas pode deixá-los na mão. E você vai acordar no dia seguinte com aquela ideia fixa, louca de vontade de continuar a sacanagem com o gato. Ou não. Se vocês têm a noite toda pela frente, porque se preocupar? Vistam suas roupas, caminhem até a farmácia 24 horas mais próxima, comprem um bom estoque de preservativos e voltem exatamente de onde pararam. Algumas drogarias entregam em casa, se for o caso. Talvez precisem pedir um remédio para acompanhar – uma dipirona, um engov, tanto faz. Com a tranquilidade em mãos, basta se insinuar e providenciar boas carícias, para retomar o clima e continuar a diversão.

É bem capaz que o cara não aceite a interrupção da brincadeira e insista em uma relação desprotegida. Homens são cara-de-pau o suficiente para tentarem transar sem preservativo e muitos deles não curtem nada nada ter o pênis encapado de látex. Só que você não vai ser descuidada a ponto de cair naquele papo furado de “só a cabecinha”. Ou vai? Como dizem por aí, cobra não tem pescoço – se entra a cabeça, vai logo o corpo todo. Difícil controlar a intensidade das coisas depois que o negócio está dentro.

Não é porque os rapazes agem com ignorância, que você vai cometer a estupidez de dar um deslize desses. Até porque, além da ressaca moral, terá que esperar três meses para tirar a prova e descobrir se continua limpa de HIV. Na neura. Não se encabule em ser radical, nessas horas. Feche as pernas. Apenas diga:
– Desculpe, gato, não rola!

Melhor também não arriscar deixar o pau roçar a sua pussy, seja estimulando o clitóris ou apenas brincando na portinha. Você também pode pegar DST desse jeito. Para não quebrar o clima, basta continuar a tratá-lo com tesão, segurar seu pau com vontade. Safadeza na atitude é o bastante para manter a excitação do momento. Caso seja habilidosa, pode tentar até um pouco de sexo nas coxas – como as moças de antigamente faziam para preservar a virgindade. Sem encostar seus genitais, claro.

Agora, se não quiser passar por essa situação novamente, leve sempre camisinhas dentro da bolsa. É recomendável se ligar na preferência do formato da camisinha do seu paquera – rapazes bem dotados, por exemplo, não conseguem usar os modelos padrão. Existem preservativos de diferentes materiais e texturas. Muitos caras têm dificuldade de vestir e broxam sempre na hora que põem. Para isso, existem hoje camisinhas com abas para colocar. Basta testarem o que funciona melhor.

Esse vestido de camisinhas ficou tão lindo que dá até para usar numa festa.

E caso depois tenha algo mais sério com ele, por favor tente conscientizá-lo de que não vale a pena tomar esses riscos. Convença-o de tirar o exame de todas as DSTs. É possível fazer isso em postos de saúde, gratuitamente. Em alguns lugares, o resultado do teste de AIDS sai em minutos. O melhor de se descobrir qualquer contaminação é conseguir tratar o quanto antes. Não custa lembrar que mulheres devem frequentar a ginecologista de seis em seis meses.

Não tema ser chata por exigir o uso de preservativos. Nada supera a tranquilidade de viver a vida sem dramas.

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