Quando o final não é feliz


Quando o final não é feliz

Bom, Lasciva. Meu nome é M.

Acho bem bacana seus comentários. São interessantes porque não há muita fantasia, parece tudo natural, bem verdadeiro. Enfim… não sou bom com as palavras, faço exatas, gosto de números, Por isso vou direto ao assunto.

Estou muito confuso ultimamente e lógico que é por causa de uma mulher (sempre são elas). Minha ex-namorada é uma pessoa muito ciumenta, mas ciumenta ao extremo. A ponto de inventar histórias pesadas, dizendo que está em apuros, só para chamar minha atenção. Ficava querendo controlar minhas amizades – eu não podia nem falar com outra mulher.

Uma relação desse tipo, é lógico que vai ter sempre briguinhas, o que causa desgaste e faz mal para qualquer relacionamento (eu sei disso). Mas nesse ponto fico confuso, porque se falo isso para algum amigo ele me diz para ficar longe, sair, conhecer gente nova, que com o tempo passa. Eu já fiz isso e mesmo assim sempre penso nela. Reclamo das coisas loucas que ela fez, mas se alguém fala mal dela, fico defendendo (devo estar com Síndrome de  Estocolmo).

Falando sério, já conversei muito com ela, tentamos voltar algumas vezes, mas cheguei à conclusão de que não dá certo. Porque não vou fazer tudo o que ela quer e como ela é ciumenta ao extremo, vai haver brigas…

Então como você é uma pessoa de mente aberta, que teve alguns relacionamentos na vida, queria saber se em algum momento já passou por isso: você segue sua vida, conhece pessoas novas, sai por aí, fica com alguém, mas quando fica só, se lembra de alguém e pensa “pow, não deu certo, que pena… e foi até ruim para mim…” (foda isso).

Bom, estou me sentindo um gay agora por mandar um email desses. Mas ainda bem que você não me conhece, para ficar rindo de mim. Sou um pouco orgulhoso, mas sei lá, gostaria de saber sua opinião, se possível.

Beijo, cuide-se.

 

Lindo o seu email, M., fiquei realmente comovida. Sei como é. Sei bem.

Há pouco mais de um ano, levei o pé na bunda de um homem que considerava amar. A gente já não estava mais se entendendo, porque nossas expectativas sobre aquele relacionamento eram realmente distintas. Sempre acreditei que pudesse dar certo. E o fim de um relacionamento envolve sempre um dano emocional nos envolvidos. Nunca é imediato, é gradual. Insistimos, ainda querendo acreditar em um objetivo, mas as situações da vida mostram que não, não dá.

Quando cheguei ao limite daquela insistência, concluí que não – ele realmente tinha muitas qualidades e vivemos momento incríveis, mas não tinha o que eu queria. Sofri e senti falta dele por muito tempo ainda. E então, meses depois, ao reencontrá-lo, senti que ele realmente não significava mais a mesma coisa. A saudade daquele tempo continua, mas tenho plena certeza de que não volta. Tudo mudou.

Até quando vou sofrer pensando nisso? Talvez até eu me deparar com alguém que tenha tudo o que ele tinha e também aquilo que lhe faltou. Ou não.

Sua ex tinha um ciúme doentio. Não sei porque certas pessoas agem dessa forma, mas certamente deveriam se tratar. Isso é muito danoso, principalmente para elas mesmas. Você, pelo visto, se empenhou em manter e insistir na relação tudo o que pôde. Agora que viu que não dá certo, quanto mais tentar voltar atrás, mais irão se machucar. Em algum momento, é preciso aceitar que é hora de parar e seguir sua vida, ir em frente.

Paixão é algo raro e singular. Às vezes, basta dobrar uma esquina, mas não vai adiantar percorrer quilômetros atrás disso. Espere que, quando menos esperar, vai se surpreender com um novo amor, alguém que vai te fazer pensar na sua ex como alguém que passou na sua vida e te mudou de alguma maneira, mas que ficou para trás.

Boa sorte!
E fique tranquilo, todos passamos por decepções amorosas.
Beijocas,

 

 

Bom, Lasciva. Valeu mesmo por você ter respondido, significou muito para mim.

Sem contar que suas palavras me ajudaram. Acho que você disse tudo: lembrar dos momentos bons que tivemos (eu e minha namorada) e levar a vida, mas sem perder a alegria. Tentar ser feliz que não custa nada, né? E ter esperança de que ainda vou envelhecer ao lado de uma pessoa legal.

Enfim, muito obrigado pela resposta!

M.

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