Relaxa…e goza!

Aquele arrepio que percorre o corpo. Adrenalina que parece sair pela boca. Espasmos. Pernas bambas. Uma sensação de êxtase. E uma euforia inebriante – mesmo ofegante, dá vontade até de gargalhar. Estou falando do grande O. Esse momento insuperável que é o auge do prazer: o clímax sexual.

E pensar que tem garota que não sente nada disso. Pior: não são poucas. Apenas 22% das mulheres conseguem chegar ao orgasmo em todas as relações, segundo pesquisa do Projeto Sexualidade (ProSex). O mais surpreendente, porém, são relatos de mulheres adultas que afirmam que nunca tiveram um orgasmo – pasmem – na vida. Nem sozinhas. Muitas delas nem sabem o que é gozar. Não conseguem sequer estimular o próprio corpo.

Uma garota um dia me contou que se sente constrangida ao se masturbar. Fiquei sem entender: ‘Como assim constrangida?’ Como se pudesse ser constrangedor, sei lá, soltar um pum, fechada no banheiro – sem ninguém ver nem ouvir. Isso que masturbação é algo lindo, bem diferente de soltar pum, né?

Acontece que é cultural. Mulheres são ensinadas a sentir culpa por ter prazer, o que gera esse tipo de bloqueio. O resultado? Não se conhecem. Por isso, homens podem nem saber o tanto de mulheres que não gozam durante as relações sexuais – por mais que queiram. Elas aprendem a fingir, antes de descobrir como ter orgasmos (e muitas delas são péssimas atrizes). O hábito de fingir e a falta de prática em se tocar resulta no enorme número de mulheres que não chega ao orgasmo durante as relações sexuais, porque simplesmente desconhecem os mecanismos que levam ao prazer. Algumas mal se olham, nem conhecem direito o que têm no meio das pernas.

 

Se toca, garota!

Para chegar lá, cabe a cada uma descobrir o seu jeitinho – que varia segundo a sensibilidade das zonas erógenas, as preferências, as fantasias travessas na cabecinha de cada menina. Quando está sozinha, com seus toys e seu dedo, você desenvolve um aprendizado sobre suas formas de prazer. Vai funcionar bem diferente de quando estiver nua, rebolando, diante de um homem. Não é difícil a garota se frustrar porque não chega ao orgasmo no sexo. Mas, muitas vezes, o que você tem que fazer com o gato para chegar lá é bem parecido com aquilo que faz quando ninguém está olhando. Basta relaxar.

Gozar exige certa concentração. E rola mesmo uma dificuldade a mais pra se concentrar com alguém te olhando, pegando no seu corpo e enfiando algo dentro de você. Costuma fluir ao colocar o foco no momento, no seu prazer, nas suas fantasias. Na hora, é bom ser um pouco egoísta, também – pelo menos até ver estrelas (depois disso, ele vai ter toda a atenção). Mentalizar sexo. E esquecer o resto. A garota que só chega ao orgasmo com estímulo do clitóris pode priorizar o sexo oral. Ou se bolinar enquanto ele a penetra. Se o cara tiver a manha, mais gostoso ainda é deixar que o parceiro mexa ali, durante a penetração. Mas é você quem deve guiar, nem que seja com olhos e com os gemidos.

Por isso é tão importante conhecer o próprio corpo. Afinal, cada organismo tem seu ritmo. Há mulheres que gozam bem rápido, sem necessidade de tantos estímulos. E algumas demoram mais – o que não é de todo ruim, pois têm um prazer mais prolongado. Mas sem aquela neura freudiana de que melhor mesmo é orgasmo vaginal (ao que me consta, Freud nunca teve um orgasmo vaginal, pra saber). Sozinha ou olho no olho, aos gritos ou caladinha, múltiplos ou simultâneo – gozar é sempre uma catarse. Não existe orgasmo ruim. E quanto mais você sente, melhor é!

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