Se cuida!

Toda a brincadeira com o Jonas girava em torno da descoberta que fiz na noite em que nos conhecemos. Era a segunda vez que eu pisava em sua casa. Jonas mora com o irmão, atual namorado da minha amiga. Quando conheci seu apê, no bairro Higienópolis, ele não estava. Logo fiquei interessada de saber que era um negro alto. Mas foi ao ver a sua arte que fiquei totalmente afim. O trabalho do cara me deu tesão.

Voltei lá, semanas depois. Ele já devia saber como me senti, dei o toque no seu irmão. A gente não precisou se apresentar. O cara caiu matando em cima de mim, assim que me viu. Conversamos com a galera por uma hora. Caprichei no assunto putaria, como sempre. Todos foram dormir. Até pensei em ir embora, mas ele foi atrás. Encurralou-me no canto do elevador, a gente se deu um amasso gostoso.

Em instantes, estávamos arrancando nossas roupas, no seu quarto. Tivemos uma noite super intensa de sexo selvagem. E já sabem como é o pau de negão, né? Acordei no outro dia assada e completamente enlouquecida de vontade. Foi o Jonas que desmitificou os squirts para mim. Com seus dedos penetrando freneticamente a minha pussy, ele me fez ejacular pela primeira vez, após uma sucessão de orgasmos.

Aquela descoberta foi mesmo incrível. No auge dos meus 27 anos, vejo-me finalmente esguinchando uma aguinha de cheiro doce, como só tinha visto nos filmes. Eu precisava descobrir como aquilo tinha acontecido. E testar para ver se funcionava novamente, claro. Dias se passaram, não esqueci aquele momento mágico. Resolvi fazer uma investigação, e mandei um SMS: “oi, tudo bem, rapaz?! tem um lance que quero muito aprender com vc, sabe. se tiver um tempinho sobrando, me dá o toque. bjsss. Lasciva”.

O cara demorou um dia para responder minha mensagem e ainda escreveu assim: “Se eu puder ajudar… vamos nos falar no início da semana que vem”. Droga. Estava óbvio que tinha alguma mulher envolvida com ele. Que preguiça de ficar encontrando o cara no meio da semana, porque ele tem namorada. Isso que passamos uma noite inteira juntos e ele não comentou nada sobre compromisso nenhum. Homens!

Marquei ginecologista para a terça-feira de manhã. Aproveitaria a ocasião para fazer um check-up geral, tirar todos os meus exames e começar 2012 com a saúde super ok. Acordei e lembrei que o consultório da doutora fica a um quarteirão da casa do Jonas. Hmm, poderia passar lá pegar com ele a pulseirinha que ficou perdida no seu apê, naquela noite. Por via das dúvidas, vesti logo uma mini saia rodada de pin-up e sapato vermelho de salto. Se a gente se visse, pelo menos eu teria o prazer de provocá-lo.

Assim que saí da ginecologista, mandei mensagem pedindo para pegar a tal pulseira. O safado respondeu me convidando para subir e tirar com ele a minha dúvida. Era o que eu queria. De novo, quase não falamos nada. Cumprimentei o gato com um beijo de língua que o fez soltar um “Nossa”. E fomos para o quarto. Em cinco minutos eu estava pelada, de quatro, no meio do meu primeiro orgasmo, enquanto o rapaz me lambia. Transamos super gostoso, depois deitamos suados, nos esfregando numa conversa animada.

– Você queria saber como que rola o squirt, né? – perguntou.
– Isso, me ensina?!
– Na verdade, já vi mulheres fazendo de formas diferentes. Tenho o fetiche do finger fucking, me borro todo de sentir na minha mão uma buceta molhada.
– Acontece quando se estimula aqui na frente, onde fica o ponto G? – falei de pernas abertas, apontando para mim mesma.
– Sim, bem na raiz do clitóris, sai água lá de dentro. Acontece batendo no útero também. Já vi uma mulher que jorrava por fora, sabia? A buceta dela se abria. Espirrava até no meu rosto – WTF? Fiquei chocada.
– Então tenta fazer em mim, como fez naquele dia? – pedi.
– Ah, você quer ser minha cobaia? Legal – deitei bem aberta, ele sentou ao meu lado – um maluco da internet que deu a ideia de fazer com esses dois dedos do meio, que funcionam melhor.

Fiquei observando, atenta. Acho que não saberia reproduzir o movimento que ele fez com os dedos dentro de mim, de tão rápido e forte que era aquilo. E, ao mesmo tempo, tão diferente e gostoso. Senti que estava gozando, mas não jorrou água. Depois ele continuou e parei de sentir qualquer coisa. Era como se eu não sentisse absolutamente nada, só muito tesão da situação. Depois vimos que ele chegou a me ferir um pouco. Acho que se empolgou. Tudo bem.

Ainda ficamos ali na pegação, por um tempo. A gente não conseguia parar, pareciam dois tarados no cio. Interessante a intimidade que senti ao seu lado. Afinal, era a segunda vez que via aquele homem. Passaram-se quase duas horas, resolvi partir e resolver minha vida. Ele também precisava trabalhar.

Antes de voltar para casa, dei um pulinho no Centro. Estacionei ao lado do Teatro Municipal. Foi a primeira vez que andei à pé na frente daquele prédio histórico imenso. Resolvi entrar para conhecer. O café do teatro é uma fofura. Parei ali para escrever um pouco, tomar um suco de tangerina e devorar uma tortinha com chantilly. Depois atravessei o Anhangabaú em direção ao posto da Secretaria Municipal de Saúde.


Ainda usava aquele mesmo figurino sexy, de micro saia esvoaçante e sapato alto. Causei um alvoroço nas ruas do centrão. Aff, passou da conta! Os motoristas todos gritavam, os homens comentavam comigo, entre si. Pelo menos uma dezena de motoboys fez um buzinasso, quando atravessei o semáforo. O trânsito virou um caos. Chegando no posto de saúde, corri para o banheiro para abaixar a saia. Aquilo foi over, mas felizmente não tive mais problemas assim, na volta. Um temporal que me salvou.

No posto de saúde, fui atendida em quinze minutinhos. Coletaram meu sangue, pingaram uma gota dele no teste rápido de HIV. Em meia hora, recebi o resultado e saí de lá, feliz. Para quem não transa sem camisinha, como é o meu caso, o exame é 100% seguro. Quem teve relações desprotegido deve observar a janela imunológica de três meses para tirar a prova e ter certeza de que está mesmo limpo.

Examino-me quase todos os anos. Como hoje é Dia Mundial de Luta contra a Aids, resolvi dar aqui o meu exemplo. E pedir pra você que está me lendo também se cuidar. Proteja-se sempre, em qualquer ocasião, tá? Garotas, não caiam no conto do cara que quer só dar uma brincadinha, sem proteção! Muitos deles preferem se arriscar, porque não conseguem manter a ereção. Isso pode custar caro.

Dei uma entrevista ao site R7 em quem falei como não canso de me surpreender com o tanto de caras inteligentes que preferem dispensar o preservativo, logo na primeira vez. E não estou falando de nenhum moleque! A verdade é que muitos homens têm problemas com camisinhas, por diversos motivos: pau muito grande ou muito pequeno, disfunção erétil, pouca sensibilidade. Expliquei ao repórter como conduzo a situação.

Nunca topo sexo sem camisinha. O cara que tenta só vai queimar seu filme comigo. A não ser quando estou namorando. Vejam bem: escolho homens com que faço sexo a dedo. Imagina então quão criteriosa é minha seleção para os namorados? De 56 rapazes com quem já transei durante a minha vida, apenas quatro foram os meus namorados. Com um deles, fiquei casada por cinco anos. Homens que amei de verdade. Com quem tive relacionamentos sérios, de total cumplicidade e confiança.

Minha conduta quando começo um namoro é a seguinte: espero a relação completar três meses, peço para ele tirar seus exames de sangue e passar num urologista. Também vou à gineco e faço meus testes. Se ambos estão limpos, converso com ele. Entramos em um acordo de que todo e qualquer sexo com outras pessoas ocorrerá apenas com preservativos. Se, durante alguma transa, rolar penetração sem camisinha, o parceiro precisa saber.

Feito isso, resguardo-me  com algum anticoncepcional seguro, já que não quero filhos (já usei de tudo: DIU, intradérmico, injetável; só não confio na pílula pois sou muito esquecida), e dispensamos a camisinha apenas entre nós dois. O repórter do R7 escreveu que tal conduta é um deslize meu. Se transar sem camisinha é algo tão errado assim, procriação devia ser crime, né? O mais contraditório é que a mesma matéria apresenta, ao final, uma enquete. Confira o resultado abaixo.

Nesta quinta-feira (1º) acontece o Dia Mundial de Luta contra a Aids. O uso do preservativo é o principal meio de evitar o contágio pelo vírus HIV, que causa a doença.

Você usa camisinha toda vez que faz sexo?

  • Não, porque tenho parceiro fixo à 46.55%
  • Sim à 31.03%
  • Não, porque me sinto desconfortável à 12.93%
  • Não, porque às vezes eu esqueço à 9.48%

Prefiro nem comentar as respostas às duas últimas perguntas. Lamentável. Fato é que a maioria das pessoas afirma que, quando estão em um relacionamento com um parceiro fixo, acabam dispensando a camisinha. Então não vou afirmar que camisinha é indispensável em qualquer situação, só porque esse é o discurso politicamente correto. Tenho um pacto de total sinceridade com meus leitores. Nada de hipocrisia por aqui.

Peço apenas: se deseja dispensar o uso de preservativo com seu parceiro, certifique-se de ter total confiança nele e tome sua decisão com seriedade e segurança do que está fazendo.  Continue fazendo exames periódicos e se cuida! Sempre vale a pena viver a vida sem dramas.

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