Uma noite no motel

tudo bem, gato?
tô na área.
tenho uma proposta a te fazer.

Foi por whatsapp que decidi convocar o Toro para aquela missão há tantos meses planejada. De volta a São Paulo, prestes a lançar meu primeiro livro, o tempo na cidade seria curto. Mas não poderia perder a chance de aproveitar o voucher que ganhei para conhecer o motel Lush.

Desde que recebi o convite para viver uma experiência no motel por email e entrei no site para conferir, meus pensamentos se perderam em meio àqueles ambientes de decoração futurista, sem se decidir em qual entrar.

Logo me vi em uma noite romântica, acompanhada de um amigo nerd, enroscada diante do telão de cinema 4D, em um dos quartos. Minha imaginação saiu coreografada até a pista de dança com pole dance de outro cômodo. E logo depois fui envolvida em um mergulho relaxante na piscina aquecida com cromoterapia, noutro espaço.

As possibilidades que todos aqueles quartos poderiam me proporcionar continuaram a mexer com as minhas ideias por dias e dias. Mas com quem?

Não foi por acaso que pensei no Toro para curtir comigo essa experiência. Depois de refletir sobre quem em São Paulo eu gostaria de levar para a cama, concluí que, se era para ter um flashback, que fosse com um homem que eu amei.

Nosso namoro acabou há mais de três anos. Foi difícil superar a perda de alguém com quem partilhei tantos planos de vida. Mas a amizade entre a gente nunca chegou a fim. E o tesão, esse ainda vejo em seus olhos.

Toro é mesmo especial para mim. E o melhor: ele sempre topa todas. Não foi diferente, dessa vez. Marcamos que ele me buscaria de noite, depois que se liberasse do trabalho.

Em chamas com a véspera do evento de lançamento do meu primeiro livro, atiçada com a perspectiva de levar meu ex para o motel, eu definitivamente estava alvoroçada. Comecei a me arrumar no fim da tarde, zanzando de um lado a outro, na sala do apartamento onde fiquei hospedada.

A noite estava quente, e pedia pouca roupa. Vesti um bralet florido, uma saia curtinha, pintei-me com uma maquiagem leve, para não borrocar. Desci para esperá-lo com um sentimento nostálgico.

Toro foi também o primeiro parceiro na criação do blog, quando ainda estávamos juntos. Acho que nada do que produzi seria possível sem esse empurrão inicial que ele deu. Nossa história passava repetidamente em minha memória, como um filme randômico. Foi incrível, enquanto durou.

Sempre pontual, ele não tarda a aparecer. Entro no carro já rindo de todas as novidades que tenho para lhe contar. Cumprimento-o com um carinhoso beijo no rosto, e o papo flui tão naturalmente que dá para sentir preservado o amor que existe entre a gente – já sem todo aquele romantismo, mas, ainda assim, amor.

De longe, avisto o luxuoso prédio do Lush, na Avenida do Estado. Ao entrarmos no quarto, a sensação é de que, apesar de tanta expectativa, o lugar consegue me surpreender. Passamos pela porta e nos entreolhamos, boquiabertos, impressionados com o nível de sofisticação daquele ambiente espaçoso. A iluminação, a arquitetura, a decoração, os ambientes vazados, a piscina cimentada com uma cascata. Tudo. Fiquei completamente envolvida por aquela atmosfera.

Logo na entrada, uma mesinha de centro, cadeiras, um aparador e um confortável sofá branco. Mais ao fundo, uma mega cama sob um espelho no teto. De um lado, uma parede espelhada até a metade. De outro, paredes de vidro dividem uma piscina iluminada por luzes coloridas, chuveiros e uma espreguiçadeira sob um teto solar, em um espaço de paredes acizentadas de cimento queimado.

Não me aguento: chuto o sapato para o canto e salto na cama, aos pulos, gargalhando de animação. Jogo-me nos braços de Toro, que, rindo das minhas bobagens, pega-me no colo e me leva até o sofá. Entrega-me uma cerveja long-neck, abre outra para ele. Brindamos.

O momento é propício para atualizar os assuntos, depois de tanto tempo longe um do outro. Sem qualquer DR – tanto tempo após o fim do namoro, também não faz mais nenhum sentido discutir a relação.

Saímos para a espreguiçadeira acolchoada, ao lado da piscina. Sob ela, há um display com muitos botões luminosos pregados na parede.
– Olha, que demais! – começo a experimentar as tonalidades de luz colorida que refletem na água.

Abro teto solar para vislumbrar as estrelas. Ligo a cascata, mas acabo desligando em seguida, devido ao barulho. Testamos os playlists, até escolher um de lounge que começa com Portishead. Jogo os cabelos para trás, em um suspiro.
– Que delícia, ein? – rio para ele, que sorri de volta, olhando-me nos olhos.

Aproximo-me do seu corpo, envolvida pela música. Divirto-me com a sensação de poder rebolar o quadril diante dos seus olhos admirados. Sinto suas mãos deslizarem pelas curvas do meu bumbum, seu carinho roçando entre as minhas coxas, acompanhando os movimentos que faço ao ritmo da música. Com a boca entreaberta, distribui beijinhos em meu ventre.

Puxa-me em seu colo, abrindo meu top de renda, de forma que um dos seios pula para fora. Sua mão entra debaixo da minha saia e remexe no meio do meu bumbum. Abocanha meu mamilo com a voracidade e dedicação de sempre.

Flashes de nossas centenas de transas apaixonadas surgem em minha mente, enquanto acaricio seus cabelos. Esfrego-me, a fim de sentir a ereção no meio das minhas pernas. Desço, arranhando seu peitoral até a altura do quadril. Aperto o volume rígido que encontro sob a bermuda, com uma das mãos. Procuro o zíper com a outra. Lambuzo-me com seu beijo. Abro a braguilha.

Ele faz barulho de tanto salivar, enquanto encara meus seios com expressão de tesão. Seguro seu pau, firme em minhas mãos. Ele se levanta e deixa a bermuda cair no chão. Ajoelho-me, olhando nos seus olhos. Toco com a boca delicadamente o membro ereto diante dos meus olhos. Brinco com a língua ao redor da cabeça, para depois me aprofundar.

Ele me levanta pelos cabelos e me conduz até a cama. De quatro, empino-me, enquanto olho para trás e consigo ver o reflexo da minha bunda arrebitada. Sinto o deslizar da sua língua por meus orifícios. Sobe um calor pela minha barriga que me faz me abrir ainda mais. Toro segura uma nádega com delicadeza e aperta de leve minha cintura com a outra mão.

Sinto seu pau entrar em mim, aos poucos. Minha boca se abre involuntariamente e emito um suspiro sonoro. Viro meu rosto para trás e admiro seus olhos, compenetrados, enquanto percorre com a palma as curvas do meu quadril.

Rebolo, acompanhando seus movimentos. Meus gemidos se tornam ritmados com sua respiração ofegante. Ao puxar meus cabelos, sua boca vem encostar a minha. Nossos movimentos são ritmados e se revezam entre todas as nossas posições favoritas. Cavalgo sobre ele até gritar de prazer. Toro me abre toda, penetrando-me enquanto esfrega meu pé em sua boca – uma das cenas que mais me faz sentir saudade do nosso sexo. Ele está tão excitado, que parece se controlar para prolongar o momento.

Mas o tesão evolui em um crescente, até o momento em que o vejo explodir de prazer. Ouço-o rosnar, grunir. Delicio-me com a visão dos seus olhos revirados. Acaricio seu peitoral. Abraço-o, a fim de sentir seus batimentos cardíacos. Aperto meu peito contra o dele para curtir aquele minuto de êxtase. Nossos olhos se encontram. Em sincronia, rola um sorriso de cumplicidade.

Pegamos outra cerveja e voltamos para a piscina. Megulhamos. A água aquecida me envolve, o corpo relaxa. Conversamos. E conversamos. Refletimos sobre a vida. Ele me conta sobre os novos relacionamentos e quer saber dos meus. Pouco temos a discutir sobre o passado, mas vislumbramos nossos futuros, agora em estradas diferentes. Falamos de tudo.
– Você não quer outro namorado? – pergunta.
– É, – suspiro – sinto muita falta do que a gente tinha, de uma companhia, alguém que partilhe os momentos do dia-a-dia.
– Por que não convidou outro cara no meu lugar? Era uma boa oportunidade de conquistar alguém. Você sabe, né? Figurinha repetida não completa álbum.
– Não tem ninguém nessa cidade que eu queira conquistar. E o único por quem me apaixonei durante todo esse tempo, lá no Rio, foge sempre que a gente começa a se aproximar demais.
– É, entendo, eu também faço isso.
– Mas você era diferente – confesso, um tanto ressentida.

Muitas confissões depois, ele me chama para dormir. Precisa acordar cedo, para trabalhar, no dia seguinte.

Acordo com a sensação de que seu abraço não tem a mesma doçura de outrora. Toro se despede carinhosamente e continuo ali, curtindo o lugar, antes de me arrumar para a noite de lançamento. Faz sol. Peço uma bandeja de café da manhã, que degusto à beira da piscina. Bronzeio-me na espreguiçadeira. Tomo um banho demorado. Então começo a me produzir.

Saio dali renovada, com uma sensação nostálgica tomando meu corpo. Resta, para sempre, saudade.

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