Vertedura


Vertedura

Viciei em você. Um vício tão pungente que parece que os órgãos do meu corpo dependem disso para funcionar. Estou sofrendo crise de abstinência, no momento. Hoje passei o dia me olhando no espelho, pegando meu corpo, tentando reproduzir o gesto bruto e carinhoso de suas mãos deslizando por minhas bochechas, para segurar todos os fios do meu cabelo em um rabo. Coisa que você fazia para eu engolir seu pau ainda mais fundo, ou momento de dar uma estocada forte dentro de mim, quando estou empinada na sua frente. Aperto minha garganta, afim de me estrangular bem do jeito que você faz quando estou imersa em tesão. E vejo minha boca me abrir em um gemido. Vontade.

Ao mentalizar sua imagem, compenetrado, com expressão séria – seu olhar decidido, que revela uma mente cheia de ideias perversas – quase consigo sentir o odor do perfume que exala de sua pele grossa, sobre músculos em evidência. Estou vidrada, do mesmo jeito que fico ao admirar a beleza do seu corpo. Ou quando te deixo me dominar totalmente. E sou capaz de perceber a força da sua mão me segurando, ao me pôr deitada – de tal forma que pode fazer comigo o que quiser. Mas é geralmente nessa hora que sinto o roçar da sua barba em minha virilha e sua língua certeira vem atiçar meu clitóris e me leva ao orgasmo quase que de imediato. Bato os dentes involuntariamente. Esbaforida, tenho espasmos. Irei implorar para que me penetre.

Você diz que pareço possuída com seu pau dentro de mim. Deve ser meus olhos se revirando de prazer ao sentir seu volume me preencher. Você é para mim como uma substância alucinógena que afeta meus sentidos e me faz delirar. Só de pensar do efeito da fricção da sua pele contra a minha, a dureza do seu membro ao me estimular em movimentos ritmados, a respiração se torna ofegante. Sinto um frio percorrer a superfície do meu corpo, desde a canela até a nuca, causando formigamentos na lateral dos quadris. Os músculos entre as pernas se contraem. Estou úmida.

Esses pensamentos me perturbam. Parece que vou afundar nos meus próprios hormônios – se não puder extravasar sentada ao seu colo. E deixar que suas mãos guiem meus movimentos, ao apertarem minha cintura. Ou enquanto sinto sua palma pressionar contra minha pélvis e imprimir ritmo ao meu rebolado. Nua. Entregue.

Ao som da música que começa a tocar, encaro o espelho com um sorriso meigo. Olho fundo dentro do espelho e quase consigo te enxergar ali. Meu olhar brilha, as pálpebras se abaixam e os cílios voltam a levantar, piscando – como ficam quando te vejo. Chacoalho os quadris, como gostaria de fazer para você. Levanto a minissaia, aperto meus peitinhos, subo a blusa, abaixo parte da calcinha. Sem me despir. Sem parar de rebolar. Solto risadas.

Não sei o que está fazendo, neste momento.Talvez lambuzando de esperma o corpo de outra mulher. Talvez. Eu disse que não sinto ciúmes. E é verdade. Percebo cada um dos nossos momentos juntos como únicos e especiais. Uma interação em perfeita sintonia – algo que não se encontra em qualquer canto. E prefiro acreditar que você sente o mesmo. Caso o contrário, não me importa. Não é real. Não irei ocupar minha energia criativa com uma ilusão. Não irei imaginar que seremos capazes de reproduzir cada um daqueles instantes singulares. Over an over again.

Quero fechar meus olhos e experimentar a sensação desse líquido viscoso escorrendo em meus seios, grudando no meu rosto. Ver-me estirada na cama, mordendo o lábio. Sentir-me assada, suada, usada. Experimentar a satisfação de te ter proporcionado prazer. Tomar fôlego. E, antes de ligar o chuveiro para me lavar, estarei incrédula do que acaba de se passar. Ainda perturbada, enquanto me enxaguo. Até olhar para trás e te ver me observando em silêncio. Encabular-me com seu sorriso maroto. E desejar mais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *